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As estratagemas de Esteves para atrapalhar operação Master-BRB

Segundo apuração do "Relatório Reservado", Esteves, do BTG, tem adotado diversas movimentações, em diferentes esferas, contra associação

André Esteves
André Esteves, dono do BTG Pactual / Foto: Divulgação

Como em um jogo de xadrez, em um movimento de xeque-mate, André Esteves, do BTG Pactual (BPAC11), marcou um encontro com Gabriel Galípolo, presidente do BC (Banco Central), na segunda-feira (31), para tentar obstruir a associação entre o Banco Master e o BRB, segundo o site “Relatório Reservado”.

Conforme apuração do site, um dos estratagemas adotados por Esteves para travar o negócio, pelos bastidores, tem sido através dos clientes do BTG, que têm sido bombardeados de recomendações de venda de sua posição em papéis do Banco Master.

Em um dos informes enviados por gestores de recursos do banco a investidores, o BTG afirmou que “percebemos que sua posição em CDBs do Master está acima do FGC. Encaminho uma opção de investimento para a sua avaliação. Podemos realocar uma parte”, de acordo com o veículo.

A mensagem termina dizendo: “Para você não ficar a descoberto caso ocorra algo com o banco [Master] e garantir a cobertura para os valores totais do FGC.”

Além disso, a apuração afirmou que, no mesmo dia, o BTG enviou aos clientes uma outra mensagem com os seguintes dizeres: “Você sabe qual é o limite da cobertura do FGC? O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o valor principal mais os juros, e por conglomerado financeiro, independentemente do custodiante, com um teto de R$ 1 milhão em um período de quatro anos. No BTG Pactual, você pode conferir diretamente no app se os seus investimentos estão dentro dessa cobertura.”

Em questão de poucos minutos, os investidores receberam outra mensagem do BTG, dizendo: “Limite do FGC: A cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por conglomerado financeiro, Acesse o Monitor Cobertura FGC”.

Esteves se movimenta em outras esferas

Mas Esteves não tem se movimentado apenas com o BC. O banqueiro está tentando se valer de outras esferas do poder, incluindo governamental, empresarial, midiático e até mesmo o judiciário, segundo o “Relatório Reservado”. No momento atual, a depreciação dos ativos do Master atende aos interesses de Esteves, principalmente no quesito carteira de precatórios da instituição.

Nessa modalidade, o Master tem cerca de R$ 7 bilhões em títulos, a maioria constituída em dívidas do estado de São Paulo, que atualmente tem melhores condições de pagamento do que a União. 

Além disso, também é de conhecimento do mercado que uma parcela expressiva dos precatórios em poder do Master já tem um depósito em juízo, ou tem previsão de recebimento no curto ou médio prazo. Portanto, trata-se de um maná para o BTG, que tem se notabilizado nos últimos anos como um comprador voraz de precatórios. Sendo assim, para as estratégias de Esteves, deteriorar a percepção em relação ao Master e as condições de negociação do banco, seria uma peça-chave.

Há também informações, segundo o site, sobre um possível interesse do BTG na operação de consignado do Banco Master, de aproximadamente R$ 920 milhões. Desde o anúncio da associação entre o Banco Master e o BRB na sexta-feira (28), uma onda de aleivosias tomou o negócio, com a narrativa de que a operação seria uma ação do governo para socorrer o Master. 

Paralelamente, uma outra movimentação de Esteves nesse momento, conforme o site, é aludir a operação ao convite de um risco de crise sistemática no setor bancário, caso o acordo seja firmado nos termos divulgados. Para os próprios sócios do BTG, ainda é impossível ter visibilidade do que André Esteves pensa e quais são as operações no seu radar.