O preço do barril de petróleo voltou a subir no mercado internacional, impulsionado pela combinação entre tensões no Oriente Médio, cortes coordenados pela Opep+ e a recuperação da demanda global. Para o consumidor brasileiro, o reflexo vai além do posto de gasolina: afeta desde o valor do gás de cozinha até o preço de itens da cesta básica.
A escalada nos preços é resultado direto da decisão da Opep+ – grupo formado por grandes produtores como Arábia Saudita e Rússia – de prolongar os cortes na produção até, pelo menos, o fim de 2025.
O objetivo é manter o barril valorizado em meio à oferta global limitada. Ao mesmo tempo, o consumo vem se recuperando na China, nos EUA e na Europa.
Com isso, o Brent – referência global – ultrapassou os US$ 88 no início de julho, uma alta de mais de 10% em relação ao mês anterior. Já o WTI, referência americana, também subiu para níveis semelhantes.
Especialistas veem espaço para novos avanços, sobretudo se a guerra entre Israel e Hamas se intensificar ou se o Irã for atingido por sanções mais duras.
Como isso afeta o Brasil
Apesar de o Brasil ter batido recorde na produção de petróleo e gás em maio, com 4,48 milhões de barris de óleo equivalente por dia, segundo a ANP, o país ainda depende do mercado internacional para definir os preços internos.
Embora a Petrobras tenha abandonado oficialmente o PPI (Preço de Paridade Internacional), ela segue utilizando referências globais para evitar prejuízos, especialmente na importação de derivados, como o diesel. Com isso, os aumentos lá fora chegam ao consumidor brasileiro.
Os efeitos mais diretos são:
- Gasolina e diesel mais caros nas bombas
- Gás de cozinha pressionado, principalmente nas regiões Norte e Nordeste
- Frete mais caro, com impacto direto nos preços dos alimentos
- Inflação, já que o IPCA sente o efeito da energia mais cara nos transportes e na indústria
Além disso, o movimento do mercado traz uma contradição para o Brasil, como explica Marisa Rossignoli, conselheira do Corecon-SP e docente da Universidade de Marília (Unimar):
“Se por um lado o Brasil se beneficia com o aumento dos valores recebidos na exportação e melhoria da balança comercial, por outro ocorre uma pressão para elevação dos preços internos, uma vez que fica mais vantajosa a exportação”, afirma.
“É importante também considerar que há derivados que continuamos importando, como diesel, nafta e querosene de aviação, que devem ficar mais caros com a alta do petróleo”, completa a economista.
O que esperar dos próximos meses
O mercado internacional tem se mostrado altamente volátil, influenciado por fatores geopolíticos e econômicos. Caso as tensões no Oriente Médio se agravem, especialmente o conflito entre Israel e Hamas ou possíveis sanções ao Irã, há espaço para novas altas no preço do barril.
“Se as tensões no cenário mundial continuarem, espera-se um novo aumento nos preços do petróleo, o que pode pressionar ainda mais os derivados como gasolina e diesel. Mas, com a atual volatilidade, é difícil traçar uma tendência clara”, avalia Marisa.
Com o cenário externo instável e o Brasil ainda dependente das cotações internacionais para parte dos combustíveis, os próximos meses devem manter o consumidor em alerta, tanto nas bombas quanto nas prateleiras dos supermercados.