
O Banco de Brasília (BRB) virou alvo de múltiplas investigações após revelações de que destinou percentuais desproporcionais de seu lucro para patrocínios esportivos e publicitários.
Dois processos tramitam no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e um inquérito civil foi aberto pelo Ministério Público do DF (MPDFT) para apurar possível má gestão de recursos públicos.
O escândalo ganhou dimensão após estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelar dados alarmantes: entre 2018 e 2023, o banco público aumentou em impressionantes 1.500% seus gastos com patrocínios e publicidade, saltando de 7,6 milhões de reais para estratosféricos 129 milhões de reais.
A comparação com outros bancos públicos regionais expõe a discrepância: enquanto o BRB comprometeu mais da metade de seus ganhos em marketing, o Banco do Brasil aplicou apenas 0,46% do lucro em patrocínios no mesmo período. Bancos estaduais como Banestes, Banpará e Banrisul registraram percentuais entre 2% e 9%.
Dinheiro público bancou Flamengo e Fórmula 1 e deixou causas sociais de lado
Os maiores beneficiários dos recursos foram entidades de fora do Distrito Federal. O Flamengo sozinho recebeu mais de 153 milhões de reais entre 2020 e 2023, com previsão de acréscimo de 40 milhões em 2024.
O banco também investiu pesadamente no automobilismo, patrocinando a equipe Alpine de Fórmula 1 e o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, além de ter adquirido 110 ingressos VIP para o GP de São Paulo ao custo de 3,2 milhões de reais.
Enquanto isso, investimentos em causas sociais do DF despencaram 40,8% entre 2019 e 2024, representando míseros 0,05% do total gasto com patrocínios em 2024.
O deputado distrital Gabriel Magno (PT), autor de uma das representações no TCDF, classificou a situação como desvio de finalidade. “O banco está se afastando de sua missão pública. Gastaram quase todo o lucro líquido em eventos elitistas, sem retorno algum para a cidade”, criticou.
Em sua defesa, o BRB afirma que todas as ações seguem a Lei das Estatais e foram aprovadas pelas instâncias de governança. O banco argumenta que restrições eleitorais não se aplicam a sociedades de economia mista quando divulgam produtos com concorrência no mercado.