A estatal avalia ajustes para suavizar efeitos tributários e manter equilíbrio no mercado de combustíveis em 2026.
Foto: Gasolina / CanvaPro

A Petrobras pode iniciar 2026 com um movimento estratégico nos preços dos combustíveis. De acordo análise do Citi, a estatal tem espaço para reduzir o valor da gasolina como forma de neutralizar o aumento dos impostos estaduais previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro.

A avaliação considera que a elevação da carga tributária deve pressionar os preços nas bombas logo no começo do ano. Ainda assim, o banco entende que a política de preços da Petrobras pode suavizar esse impacto para consumidores e empresas.

Aumento de impostos pressiona gasolina e diesel em 2026

De acordo com os cálculos do Citi, o reajuste dos tributos estaduais deve acrescentar cerca de R$ 0,10 por litro ao preço da gasolina e R$ 0,05 por litro ao diesel. Esse cenário reacende a atenção do mercado para possíveis ajustes promovidos pela Petrobras logo nos primeiros meses de 2026.

A leitura dos analistas é que, sem algum tipo de compensação, o impacto tributário pode ser rapidamente repassado ao consumidor final, em um momento de sensibilidade para a inflação e para o custo de vida.

Preço da gasolina acima da paridade internacional

O principal argumento para um eventual corte está na diferença entre o preço doméstico e a referência internacional. Hoje, a gasolina vendida no Brasil opera com um prêmio próximo de 9% acima da paridade internacional, o que abre margem para uma redução sem comprometer o equilíbrio econômico da estatal.

No caso do diesel, a situação é diferente. O combustível já está sendo negociado praticamente em linha com a paridade internacional. Ainda assim, o Citi avalia que a Petrobras pode optar por um ajuste pontual também nesse produto, com o objetivo de mitigar o efeito do aumento de impostos no início do ano.

Impacto para distribuidoras tende a ser positivo

Para as distribuidoras, um eventual corte de preços pela Petrobras é visto como levemente positivo. Combustíveis mais baratos reduzem a necessidade de capital de giro, especialmente no primeiro trimestre, período tradicionalmente mais apertado para o setor.

Nesse contexto, o banco destaca que as principais empresas do segmento, Ultrapar, Vibra e Raízen, seguem focadas em ampliar participação de mercado. A estratégia passa por ganhar espaço de agentes irregulares, mesmo que isso signifique abrir mão de uma expansão imediata de margens.

Estratégia de preços no radar do mercado

A possível decisão da Petrobras reforça o papel da estatal como agente central no equilíbrio do mercado de combustíveis no Brasil.

Ao ajustar preços para absorver choques tributários, a companhia pode influenciar diretamente a inflação, o caixa das distribuidoras e a percepção dos consumidores logo no início de 2026.

Com o novo ano se aproximando, o tema deve seguir no radar de investidores, analistas e do próprio mercado, atento a qualquer sinalização oficial sobre a política de preços da estatal.