Donald Trump, presidente dos EUA. (Foto: reprodução/White House)
Donald Trump, presidente dos EUA. (Foto: reprodução/White House)

Os EUA anunciaram nesta quarta-feira (7) que passarão a controlar as vendas de petróleo da Venezuela por um período indefinido, em uma mudança relevante na política de sanções imposta durante o governo de Donald Trump. A Casa Branca confirmou a decisão e afirmou que o objetivo é reinserir o petróleo venezuelano nos mercados globais sob supervisão americana.

Segundo o governo norte-americano, a estratégia deixa de lado o bloqueio total das exportações e passa a permitir que o petróleo flua para refinarias dos EUA e de outros países, com as receitas rigidamente controladas por Washington.

Controle das vendas de petróleo venezuelano muda estratégia dos EUA

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que o controle das vendas é essencial para promover mudanças estruturais na Venezuela. “Em vez de bloquear o petróleo, vamos deixá-lo fluir para garantir melhores suprimentos de energia”, afirmou.

De acordo com Wright, o plano prevê a comercialização imediata do petróleo já armazenado e, de forma contínua, a venda da produção futura. “Indefinidamente, daqui para frente, vamos vender a produção extraída”, afirmou o secretário.

Autoridades da Casa Branca informaram que o governo já adotou as medidas operacionais necessárias e trabalha em conjunto com bancos estratégicos e grandes empresas de commodities para viabilizar as transações.

Recursos do petróleo ficarão em contas controladas pelos EUA

Os Estados Unidos vão depositar em contas sob seu controle o dinheiro obtido com a venda do petróleo venezuelano. Além disso, Segundo Trump, os recursos devem beneficiar tanto a população venezuelana quanto a americana e evitar desvios associados ao antigo regime de Caracas.

Os EUA vão transportar o petróleo já produzido da Venezuela para docas de descarregamento no país, refiná-lo e depois vendê-lo no mercado internacional.

A mudança ocorre em um contexto de dificuldades estruturais da indústria petrolífera venezuelana, que enfrenta problemas de extração e escoamento do produto há anos, apesar de o país deter uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

Plano dos EUA prevê até 50 milhões de barris na fase inicial

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, detalhou a estratégia americana para a Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, ocorrida no sábado (3).

Segundo Rubio, o plano será dividido em três etapas. A primeira é a estabilização do país, com a extração e venda de entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo. “Esse dinheiro será controlado por nós e tratado de forma que beneficie o povo venezuelano, não a corrupção do regime”, afirmou.

Essa fase inclui uma espécie de “quarentena” da Venezuela no mercado internacional, na qual a venda controlada do petróleo funciona como instrumento de isolamento econômico. “Eles têm petróleo preso no país e não conseguem movê-lo por causa das sanções”, disse Rubio.

Impactos globais e reflexos para a China

As etapas seguintes do plano envolvem a abertura gradual da comercialização para outros países e, posteriormente, uma transição política, sem menção direta a eleições. Rubio afirmou que a parceria econômica com os EUA e países ocidentais será central para evitar novas crises humanitárias.

O redirecionamento do petróleo venezuelano pode afetar compradores tradicionais, como a China, que vinha absorvendo parte relevante das exportações do país sul-americano mesmo sob sanções.

Segundo o secretário, o governo ainda não vai divulgar detalhes sensíveis do plano, mas já compartilhou os pontos definidos com representantes venezuelanos.