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O bitcoin iniciou a sessão após a divulgação do payroll dos EUA em um ambiente de leitura cautelosa, refletindo a combinação de desaceleração no ritmo de contratações e queda da taxa de desemprego.

O dado reforçou a percepção de que o Federal Reserve não tem urgência para alterar a política monetária neste mês, mantendo o mercado de criptoativos em compasso de espera.

Segundo André Franco, CEO (diretor-presidente) da Boost Research, o relatório de empregos confirma um cenário de transição no ciclo econômico.

“O payroll abaixo do consenso sinaliza perda de fôlego do mercado de trabalho, mas a queda do desemprego mostra que não há deterioração abrupta”, afirmou. “Isso sustenta juros estáveis e reduz a probabilidade de movimentos bruscos no curto prazo”, completou.

Payroll abaixo do esperado reforça cautela

De acordo com o Bureau of Labor Statistics, a economia norte-americana criou 50 mil vagas fora do setor agrícola em dezembro, abaixo das 60 mil projetadas por economistas consultados pela Reuters. O resultado sucede a abertura de 56 mil postos em novembro, dado revisado para baixo.

Dessa forma, apesar do número fraco, a taxa de desemprego recuou para 4,4%, movimento que equilibrou a leitura do mercado.

Para Franco, “o payroll decepciona na manchete, mas o desemprego menor impede uma reação clássica de busca por risco”. Segundo ele, “o investidor fica sem convicção para montar posições grandes”.

Juros estáveis mantêm bitcoin em faixa estreita

Com o dado em mãos, o mercado reforçou a aposta de manutenção dos juros pelo Fed. O dólar seguiu firme e as bolsas globais oscilaram sem direção clara. Nesse contexto, o bitcoin, negociado próximo de US$ 91 mil, apresentou variações contidas.

“O cenário macro não entrega gatilho nem para rompimento para cima, nem para uma correção mais profunda”, avaliou Franco. “Enquanto o dólar permanecer resiliente e os juros estáveis, o bitcoin tende a oscilar lateralmente”, disse.

Tarifas e IA entram na equação do emprego

O relatório de dezembro também refletiu a postura mais cautelosa das empresas norte-americanas, pressionadas por tarifas de importação e pela reorientação de investimentos para projetos de inteligência artificial.

“Há uma troca clara entre expansão de headcount e alocação em tecnologia”, afirmou o executivo da Boost Research. “Isso afeta o emprego tradicional e adiciona ruído à leitura macro.”

ETFs de Bitcoin indicam possível estabilização

No campo institucional, análises recentes do JPMorgan Chase apontaram desaceleração nas saídas de capital dos ETFs de Bitcoin à vista. Para o banco, o arrefecimento desse fluxo pode indicar que a fase de liquidação está próxima do fim.

Franco concorda com a leitura, mas faz ressalvas. “Menos saída de ETF ajuda a reduzir pressão vendedora, mas não significa retomada automática”, afirmou. “O mercado precisa de clareza macro para transformar estabilização em tendência.”

Tokenização de crédito no Brasil ganha protagonismo

Enquanto o preço do bitcoin reage ao macro, o avanço estrutural do setor segue em curso. A BlackOpal lançou, via plataforma GemStone, um produto de tokenização de dívidas de cartão de crédito brasileiras, com rendimento anual informado de 13%.

“Esse tipo de iniciativa mostra que blockchain não depende do preço do bitcoin para avançar”, disse Franco. “A tokenização conecta capital global a ativos locais e tende a crescer mesmo em ciclos laterais de preço.”

Bancos apostam em blockchain como infraestrutura

O movimento é reforçado pela expansão dos projetos de blockchain do JPMorgan, com foco em soluções de “dinheiro digital interoperável”. Portanto, a estratégia busca reduzir custos e tempo de liquidação em operações financeiras, integrando ativos tokenizados e sistemas tradicionais.

De acordo com Franco, o recado é claro: “O mercado começa a separar preço de cripto de uso da tecnologia”. Segundo ele, “o investidor que olha só o gráfico perde a dimensão do que está sendo construído nos bastidores”.

O que observar após o payroll

Com o payroll divulgado, o mercado passa a monitorar a reação do Fed, a evolução das tarifas e o comportamento do dólar. Em suma, para o bitcoin, o cenário segue marcado por espera e gestão de risco.

“Não é um ambiente de euforia nem de pânico”, resumiu Franco. “É um momento de leitura fina dos dados, em que o macro dita o ritmo e o cripto acompanha.”