
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia recebeu aval político nesta sexta-feira (9). Após mais de 20 anos de negociações, o tratado está destravado. Portanto, a assinatura está prevista para 17 de janeiro.
Impacto bilionário no PIB brasileiro
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) projeta ganhos significativos para o Brasil. O país pode adicionar até 0,46% à sua atividade econômica. Assim, isso representa aproximadamente US$ 9,3 bilhões anuais no PIB.
Além disso, o Brasil deve atrair mais investimentos. O IPEA estima crescimento de 1,49% no volume de investimento direto. Consequentemente, isso supera as projeções para outros países do Mercosul.
Maior zona de livre comércio do mundo
Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de pessoas. Juntos, os blocos somam PIB de mais de US$ 22 trilhões. Portanto, trata-se da maior zona de livre comércio já criada.
A União Europeia já é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul. Entretanto, o acordo eliminará barreiras que ainda limitam o comércio bilateral. Assim, o fluxo comercial tende a aumentar significativamente.
O tratado elimina tarifas sobre 91% dos produtos europeus exportados ao Brasil. Contudo, a redução não será imediata. O cronograma prevê até 15 anos para implementação completa.
Automóveis terão redução gradual da tarifa atual de 35%. A eliminação ocorrerá ao longo de 15 anos. Dessa forma, a indústria nacional terá tempo para se adaptar.
Do lado europeu, 92% das tarifas sobre produtos do Mercosul serão eliminadas. O prazo máximo é de dez anos. Portanto, produtos brasileiros ganharão competitividade no mercado europeu.
Para proteger setores estratégicos, o acordo estabelece cotas de importação. A carne bovina terá limite de 99 mil toneladas com isenção tarifária. Além disso, haverá cotas para aves, porco, açúcar e etanol.
Os europeus também protegem sua produção. Para queijos, o Mercosul estabeleceu cota de 30 mil toneladas. Assim, produtos como camembert e gruyère entrarão sem impostos apenas até esse limite.
Comércio atual Brasil-UE
Em 2025, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia. Isso representa alta de 3,2% sobre 2024. Contudo, as importações cresceram mais: US$ 50,3 bilhões, aumento de 6,4%.
Principais exportações brasileiras:
- Ração e insumos agropecuários
- Minérios
- Café
Principais importações do bloco europeu:
- Produtos farmacêuticos
- Máquinas e equipamentos
- Veículos
Setores mais beneficiados
O impacto mais relevante ocorrerá em máquinas, equipamentos industriais e produtos químicos. Portanto, setores que hoje pagam tarifas elevadas devem ganhar competitividade.
A Comissão Europeia estima economia de 4 bilhões de euros anuais em tarifas. Assim, exportadores europeus terão custos menores para vender ao Mercosul.
Empresas europeias no Brasil
A forte presença de empresas europeias no país favorece o Brasil. Volkswagen, Siemens e Basf já operam aqui. Além disso, há Telefónica, Iberdrola, Enel, TIM, Carrefour e L’Oréal.
Essas companhias podem expandir operações com o acordo. Assim, haverá mais comércio intra-empresa e novos investimentos. Portanto, as oportunidades práticas tendem a se multiplicar.