Uma visão geral da refinaria Exxonmobil ou Exxon Mobil no Porto de Roterdã. Foto: Getty Images/ Dean Mouhtaropoulos
Uma visão geral da refinaria Exxonmobil ou Exxon Mobil no Porto de Roterdã. Foto: Getty Images/ Dean Mouhtaropoulos

O presidente Donald Trump reuniu executivos das maiores petroleiras dos Estados Unidos na Casa Branca. O objetivo foi direto: captar US$ 100 bilhões para reconstruir a indústria de petróleo da Venezuela. Ainda assim, a resposta dos empresários foi distante.

Durante o encontro de sexta-feira (9), Darren Woods, CEO da Exxon Mobil, não deixou margem para dúvida. Ele classificou a Venezuela como “inviável para investimento”.

Pressão presidencial e promessas

Trump afirmou que um acordo poderia sair rapidamente. Além disso, tentou pressionar os executivos presentes. “Se vocês não quiserem entrar, tenho outras 25 pessoas prontas”, disse o presidente.

A proposta era ambiciosa: reativar operações em um país com vastas reservas. No entanto, os riscos permanecem elevados.

Woods reforçou suas preocupações. Ele lembrou que a Exxon já teve ativos expropriados duas vezes pelo governo venezuelano. Em seguida, listou os principais pontos de incerteza:

  • Qual será a duração das garantias financeiras?
  • Como os retornos serão calculados?
  • Que contratos e marcos legais estarão em vigor?

Hesitação entre executivos

Harold Hamm, fundador da Continental Resources, também evitou compromissos. Embora tenha reconhecido que a oportunidade “empolga qualquer explorador”, manteve cautela. “Há um investimento gigantesco a ser feito”, afirmou.

O secretário de Energia, Chris Wright, citou apenas a Chevron como empresa efetivamente engajada. A companhia já atua no país e produz cerca de 240 mil barris por dia.

Mark Nelson, vice-presidente da Chevron, declarou que a produção pode crescer 50% em até 24 meses. Assim, a empresa se posiciona como a mais disposta a avançar.

Garantias vagas

Trump prometeu segurança total às companhias. “Vocês estão lidando conosco, não com a Venezuela”, afirmou. Contudo, não explicou como essa proteção funcionaria na prática.

Posteriormente, Wright sugeriu que a solução passaria por “mudar o comportamento do governo venezuelano”, criando condições mais favoráveis aos negócios.

Durante a reunião, Trump questionou Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips, que perdeu US$ 12 bilhões na Venezuela. O presidente minimizou: “Um bom prejuízo contábil”. Lance confirmou que o valor já foi baixado no balanço. Mesmo assim, Trump afirmou que essas perdas não seriam consideradas.

Sinais de otimismo pontual

Josu Jon Imaz, CEO da Repsol, mostrou maior abertura. Ele disse estar “pronto para investir hoje mesmo”, desde que exista um marco legal adequado.

Bill Armstrong, da Armstrong Oil & Gas, fez uma analogia: “É como West Palm Beach há 50 anos”, referindo-se ao potencial de valorização.

Objetivos estratégicos

A estratégia de Trump tem três metas principais. Primeiro, enfraquecer Nicolás Maduro. Segundo, neutralizar riscos à segurança nacional. Terceiro, transformar as reservas venezuelanas em fonte de receita.

O presidente justificou a iniciativa. “Se não fizéssemos isso, China ou Rússia teriam feito.” Além disso, ele busca conter o custo de vida antes das eleições legislativas de novembro.

Atualmente, a gasolina nos EUA custa US$ 2,81 por galão. Trump quer reduzir esse preço. Por outro lado, produtores menores temem que o aumento da oferta venezuelana pressione ainda mais o mercado.

Na sexta-feira, o petróleo WTI operava próximo de US$ 59 por barril. Esse patamar já preocupa empresas de menor porte, que enfrentam margens apertadas.