
O mercado brasileiro inicia a semana sob cautela, com os investidores acompanhando de perto a crescente pressão política nos EUA sobre o Federal Reserve (Fed). As ameaças do governo de Donald Trump contra o presidente do banco central americano, Jerome Powell, ampliaram a aversão ao risco no exterior e influenciam o desempenho dos ativos locais nesta segunda-feira (12).
Nos primeiros negócios, o Ibovespa operava perto da estabilidade, tentando sustentar a região dos 163 mil pontos. Enquanto os índices futuros de Nova York recuavam.
-Dow Jones Futuro caí 0,70%
-Nasdaq Futuro recua 0,82%
-S&P 500 Futuro baixa de 0,61%.
O movimento reflete a reação do mercado à revelação de que o Fed recebeu intimações do Departamento de Justiça dos EUA relacionadas à reforma de US$ 2,5 bilhões da sede da instituição. Powell afirmou que a investigação representa uma tentativa de interferência política nas decisões de política monetária.
Dólar perde força, mas segue volátil
No câmbio, o dólar comercial abriu o dia em queda frente ao real, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana. Na abertura, a divisa era negociada a R$ 5,3585, com baixa de 0,12%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuava 0,34%.
Apesar do recuo inicial, o dólar segue volátil, com investidores ajustando posições diante da incerteza externa e da agenda doméstica mais esvaziada de indicadores.
Rotação global pode favorecer emergentes
Analistas avaliam que o aumento da instabilidade institucional nos EUA pode acelerar a saída de recursos de ativos americanos, favorecendo a rotação para mercados emergentes. Esse movimento tende a oferecer algum suporte à bolsa brasileira, mesmo em um ambiente global mais defensivo.
No radar doméstico, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, tem reunião prevista com o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, em meio às discussões envolvendo a liquidação do Banco Master.
Radar corporativo ganha destaque
No noticiário corporativo, o mercado acompanha uma agenda carregada, com destaque para a aprovação de R$ 2 bilhões em proventos pelo Santander, o investimento de R$ 200 milhões do Itaú em ativos florestais da Dexco, além de movimentações relevantes envolvendo Gol, Azul, PRIO, Cogna, Eucatex, Tenda e Taesa.
Com Wall Street pressionada, dólar instável e o cenário político nos EUA no centro das atenções, o mercado brasileiro começa a semana atento ao fluxo internacional e aos desdobramentos que podem redefinir o apetite por risco no curto prazo.