
O Bitcoin opera próximo de US$ 91,3 mil nesta terça-feira, acompanhando o movimento de maior apetite por risco nos mercados globais. O avanço ocorre com a forte alta das bolsas asiáticas, lideradas pelo Nikkei, que renovou máximas com a fraqueza do iene.
O desempenho positivo dos mercados acionários, especialmente nos setores de tecnologia e ligados à recuperação cíclica, tem favorecido ativos mais voláteis. Segundo André Franco, CEO da Boost Research, esse ambiente costuma beneficiar o mercado de criptoativos. “O apetite por risco permanece ativo, o que tende a favorecer ativos como o Bitcoin, sobretudo quando há fluxo comprador direcionado a tecnologia e mercados emergentes”, afirma.
Além disso, a desvalorização do dólar e o redirecionamento de capital para fora dos EUA também sustentam o preço do BTC.
Viés técnico segue positivo, mas com limitações
Apesar do cenário externo mais construtivo, o movimento do Bitcoin segue contido. Do ponto de vista técnico, o ativo apresenta viés de alta moderado, com tendência de consolidação ou teste gradual.
De acordo com André Franco, as incertezas relacionadas à política monetária global continuam no radar. “As dúvidas sobre o ritmo e o início de cortes de juros pelo Federal Reserve tendem a limitar movimentos mais abruptos no Bitcoin, mesmo em um ambiente de maior apetite por risco”, avalia.
A busca por ativos de proteção, como o ouro em recordes, reforça a postura defensiva dos investidores diante das tensões geopolíticas e dos ruídos sobre a independência do Fed.
Compras institucionais sustentam o mercado
O mercado reagiu ao anúncio da MicroStrategy, que realizou sua maior compra de Bitcoin desde julho, adicionando 13.627 BTC ao caixa da companhia. A empresa financiou a operação, estimada em cerca de US$ 1,25 bilhão, por meio da venda de ações no mercado.
Para o CEO da Boost Research, o movimento reforça a percepção do Bitcoin como ativo estratégico. “Esse tipo de compra institucional fortalece o mercado no médio e longo prazo e ajuda a sustentar os preços, mesmo que o impacto imediato seja limitado”, afirma Franco.
Ambiente regulatório segue heterogêneo
O noticiário regulatório segue trazendo sinais mistos. Em Dubai, a autoridade reguladora de ativos virtuais anunciou um endurecimento das regras, proibindo tokens de privacidade e impondo exigências mais rigorosas para stablecoins. O movimento descrito como um “reset” regulatório para alinhamento às normas globais de combate à lavagem de dinheiro.
No Brasil, o governo do Ceará incluiu a mineração de Bitcoin entre suas prioridades para 2026, com foco em infraestrutura digital, e atração de data centers.
Na avaliação de André Franco, esse contraste evidencia a fase de transição do setor. “O mercado de criptoativos avança para uma institucionalização maior, mas com abordagens regulatórias bastante distintas entre os países, o que mantém a volatilidade e cria assimetrias regionais”, explica.
Stablecoins no centro do debate com bancos
Outro ponto de atenção envolve o embate entre plataformas cripto e o sistema financeiro tradicional. Além disso, a Coinbase enfrenta resistência de bancos para manter programas de recompensas para usuários que mantêm stablecoins. Na prática a empresa defende como uma forma legítima de compartilhamento de receita gerada pelas reservas.
Para Franco, o debate vai além da concorrência. “A discussão sobre stablecoins reflete uma disputa estrutural por eficiência financeira e pela definição de como esses ativos devem ser regulados dentro do sistema financeiro tradicional”, afirma.