Banpará
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O Banco do Estado do Pará (Banpará) investiu R$ 90 milhões em um fundo de direitos creditórios (FIDC) administrado pela Reag Trust DTVM, gestora que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15).

Os aportes ocorreram ao longo de 2024. Em outubro, o Banpará aplicou R$ 50 milhões no FIDC Rover. Antes disso, em agosto, o banco já havia investido outros R$ 40 milhões no mesmo fundo. Assim, o total investido chegou a R$ 90 milhões ainda no ano passado.

Com a valorização das cotas, o montante alcançou R$ 95,6 milhões no encerramento de 2024. Portanto, o investimento ganhou peso relevante dentro da carteira da instituição estadual.

Aporte elevado gerou desconforto interno

Apesar disso, não há indícios de irregularidade na operação. Ainda assim, o tamanho do investimento causou incômodo entre servidores de carreira do Banpará. Internamente, parte da equipe demonstrou preocupação com a exposição a um fundo administrado por uma gestora que passou a ser investigada posteriormente.

Procurado para comentar o assunto, o banco não se manifestou até o momento.

FIDC Rover concentrou toda a estratégia

As discussões internas para que o Banpará passasse a investir em FIDCs começaram em agosto de 2024. Poucos meses depois, o banco executou o primeiro aporte no Rover. Desde então, o fundo segue como o único FIDC a receber recursos da instituição.

Enquanto isso, no balanço financeiro de 2024, o banco mencionou o investimento de forma objetiva. O documento registrou a aplicação de R$ 50 milhões em cotas sênior do FIDC Rover, além da compra de cerca de R$ 5,5 milhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN).

Rentabilidade elevada sustentou decisão

Já nos documentos preparados para a assembleia geral ordinária (AGO) de 2025, o Banpará detalhou a estratégia. Segundo o banco, o investimento ampliou a diversificação dos ativos da carteira.

O Rover é um fundo estruturado com recebíveis comerciais lastreados em transações de cartões de crédito. Além disso, o banco destacou uma rentabilidade-alvo de 130% do CDI. Com isso, a instituição argumentou que o retorno compensaria o risco, classificado como controlado.