
Cinco irmãos que afirmam ter sido vítimas de abuso sexual na infância atribuído a Michael Jackson entraram com um pedido de indenização de US$ 200 milhões, cerca de R$ 1,8 bilhão, contra o espólio do cantor na Justiça dos Estados Unidos. Segundo o site TMZ, a ação foi protocolada nesta quinta-feira (15) e envolve Frank Cascio e seus irmãos.
De acordo com os autores do processo, um acordo firmado em 2020 com os herdeiros do artista teria sido assinado sob coação. Por isso, eles pedem a anulação do compromisso. Já o espólio, por outro lado, classifica a iniciativa como uma tentativa de extorsão.
Disputa judicial opõe herdeiros e supostas vítimas
Durante audiência no tribunal, o advogado Marty Singer afirmou que as acusações buscam obter vantagem financeira. Segundo ele, a defesa dos Cascio teria elevado gradualmente os valores exigidos. Além disso, Singer negou que qualquer irregularidade tenha ocorrido por parte dos administradores do patrimônio do cantor.
Em contrapartida, o advogado Howard King sustentou que os traumas psicológicos persistem até hoje. De acordo com a defesa, um dos irmãos enfrenta abalos emocionais severos. King afirmou ainda que as acusações são verídicas e rejeitou a tese de fabricação dos relatos.
Pedido bilionário se baseia em acordos anteriores
Desde que assumiu o caso, em 2024, King entrevistou os cinco irmãos. Ao todo, ele reuniu mais de dez horas de depoimentos gravados em vídeo. Segundo o advogado, os registros detalham os supostos abusos sofridos na infância.
Para justificar o valor pedido, a defesa citou um acordo dos anos 1990, quando Michael Jackson pagou cerca de US$ 25 milhões a um único acusador. Agora, como são cinco supostas vítimas, os advogados defendem uma indenização proporcionalmente maior.
Relação próxima e mudança de versão
Frank Cascio manteve uma relação próxima com Michael Jackson por mais de três décadas. Ele conheceu o cantor ainda criança, após seu pai trabalhar em um hotel em Nova York. Com o tempo, Jackson passou a frequentar a casa da família, e Cascio acabou integrando a equipe profissional do artista.
Em 2011, Cascio publicou o livro Meu Amigo Michael, no qual defendeu o cantor e afirmou nunca ter presenciado comportamentos inadequados. Segundo ele, à época, as interações eram “inocentes” e “mal interpretadas”.
De acordo com o espólio, o cenário começou a mudar após a exibição do documentário Leaving Neverland, em 2019. A partir daí, Cascio e seus advogados teriam passado a pressionar os administradores do patrimônio do cantor.
Venda do catálogo à Sony entra no pano de fundo
O conflito voltou a ganhar força em julho de 2024, quando os Cascio passaram a exigir US$ 213 milhões. Segundo os herdeiros, a ameaça envolvia ampliar a divulgação das acusações e afetar negócios estratégicos.
Entre eles, está a venda de 50% do catálogo musical de Michael Jackson para a Sony, concluída em 2024 por US$ 600 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões). Para o espólio, a nova ação judicial está diretamente ligada a esse contexto comercial.