Papudinha: por que Moraes transferiu Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou, na quinta-feira (16), a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para uma cela na papudinha, unidade do Complexo Penitenciário da Papuda.

A decisão, segundo o magistrado, atende melhor aos pedidos da defesa sem reconhecer irregularidades nas condições anteriores.

Familiares e aliados do ex-presidente vinham classificando a permanência na PF como inadequada, com pedidos reiterados de prisão domiciliar.

Moraes, entretanto, afirmou que não procedem as acusações de “tortura”. Ainda assim, avaliou que a mudança para a papudinha garantiria condições “ainda mais favoráveis”, equilibrando segurança, saúde e rotina.

Como é a cela na papudinha

A nova acomodação tem 64,83 m², muito acima dos 12 m² da sala anterior na PF. O espaço inclui ambientes separados para quarto, sala, banheiro, cozinha e lavanderia. Há cama de casal, geladeira, armários, televisão e chuveiro com água quente. Além disso, uma área externa de 10,07 m² permite banho de sol com privacidade, sem necessidade de agendamento.

Com a transferência, o STF liberou visitas permanentes de Michelle Bolsonaro e dos filhos, sem autorização judicial prévia.

O espaço mais amplo também possibilita encontros em áreas coberta e externa. A cozinha, por sua vez, atende à dieta específica recomendada por médicos, ponto sensível levantado pela defesa.

Atendimento médico e fisioterapia

A papudinha conta com posto de saúde e equipe multidisciplinar: médicos clínicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, psiquiatra, fisioterapeuta e farmacêutico.

Moraes autorizou ainda a instalação de aparelhos de fisioterapia e adaptações de segurança, como grades na cama e barras de apoio, após queda sofrida pelo ex-presidente em janeiro.

Considerada uma ala mais controlada da Papuda, a papudinha costuma receber presos com direito à prisão especial ou que demandam cuidados de segurança. Além de Bolsonaro, estão no local o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da PRF Silvinei Vasques, em celas distintas.

Em suma, ao autorizar a transferência, Moraes sinaliza que a custódia pode ser ajustada para garantir saúde e dignidade, sem alterar o mérito das decisões judiciais. Assim, a papudinha passa a concentrar as condições apontadas pela defesa como essenciais, mantendo o controle estatal e a segurança institucional.