
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que ainda não definiu se disputará algum cargo eletivo em 2026, seja o governo do Estado de São Paulo ou uma vaga no Senado. Segundo ele, o tema já entrou na pauta de conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas nenhuma decisão foi tomada até o momento.
Em entrevista ao UOL News, Haddad disse que o diálogo com Lula está em curso e ocorre de forma franca. “É uma conversa de amigos e companheiros que pode se estender um pouco mais. Nós não concluímos nada nessa primeira conversa”, afirmou.
Foco está no projeto de país, diz ministro
Haddad voltou a reforçar que, em diferentes momentos, deixou claro que não pretendia se candidatar em 2026, independentemente do cargo. Questionado sobre qual função gostaria de exercer a partir de 2027, o ministro afirmou que ainda não refletiu sobre o tema.
Segundo ele, a prioridade no momento é discutir um projeto de país, diante de um cenário internacional desafiador. “Quero um tempo para pensar qual será a inserção do Brasil nesse contexto tão dramático, interna e externamente. Só depois disso posso responder essa pergunta com mais alternativas”, disse.
As então alternativas mencionadas por Haddad incluem os cargos de governador, senador ou chefe da Casa Civil, em um eventual novo governo.
Economia não garante vitória eleitoral, avalia Haddad
Ao comentar o cenário político, o ministro afirmou que bons resultados econômicos não são suficientes, por si só, para garantir uma vitória eleitoral. Além disso, segundo Haddad, pesquisas recentes indicam que a economia vem perdendo espaço entre as principais preocupações do eleitorado.
“A economia é importante no mundo inteiro, mas não necessariamente decisiva para ganhar ou perder uma eleição. O ponteiro muda muito rápido, ao calor da notícia do dia”, avaliou.
Extrema direita altera dinâmica das eleições, diz ministro
Na avaliação de Haddad, essa mudança está ligada ao avanço da extrema direita no cenário global, que gera maior instabilidade e volatilidade no debate público.
“Esse ambiente deixa as pessoas mais suscetíveis à notícia do dia e mantém viva a esperança de candidatos improváveis”, afirmou, citando o exemplo da eleição de Jair Bolsonaro como referência usada por outros postulantes.
Reforma tributária e preços dos alimentos
O ministro também voltou a defender que a reforma tributária terá impacto positivo sobre o custo de vida. Segundo Haddad, a reorganização do sistema de impostos deve ajudar a reduzir os preços dos alimentos, uma das principais bandeiras do governo Lula.