
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assumiu publicamente o apelido “Taxadd” e transformou as críticas em bandeira política. Em entrevista ao UOL nesta segunda-feira (19), o ministro defendeu suas decisões tributárias.
Haddad minimizou as críticas sobre medidas que aumentaram impostos. Entre elas, destaca-se o fim da isenção para compras internacionais de até US$ 50.
“Taxei mesmo”, declarou o ministro sem rodeios. Além disso, afirmou estar feliz por ser reconhecido dessa forma.
Orgulho da tributação do “andar de cima”
O chefe da Fazenda celebrou medidas que atingiram os mais ricos. Segundo ele, nenhum ministro nos últimos 30 anos teve coragem similar.
“Fico muito feliz em ser lembrado como o único ministro da Fazenda que taxou offshores”, afirmou. Além disso, mencionou fundos familiares fechados, paraísos fiscais e bets.
Haddad criou o termo “taxação BBB” para sintetizar sua estratégia. Portanto, a sigla representa bancos, bets e bilionários.
“A oposição está certa, a taxação BBB saiu do papel”, declarou. Dessa forma, reconheceu que críticos identificaram corretamente suas prioridades.
Defesa do papel redistributivo
O ministro justificou as medidas como dever do Estado. Segundo ele, o governo precisa intermediar interesses entre classes sociais.
“É dever do Estado fazer o intermédio entre patrões que ganham mais e trabalhadores”, explicou. Portanto, a tributação financia acesso básico à saúde, educação e alimentação.
Haddad usou metáfora imobiliária para ilustrar sua visão. “Eu sou o ministro que teve coragem de taxar o andar de cima”, afirmou.
Além disso, completou: “Cobrei condomínio de quem morava na cobertura e não pagava”. Dessa forma, defendeu justiça tributária no sistema brasileiro.
Desafio à oposição
O ministro desafiou abertamente os críticos de suas políticas. “Se a oposição quiser tocar bumbo em torno disso, ‘be my guest'”, declarou.
Portanto, Haddad demonstra não se importar com ataques políticos. Além disso, transforma críticas em reforço de sua narrativa redistributiva.
A estratégia busca reposicionar o debate público. Assim, em vez de negar as taxações, o ministro as abraça como conquista.
Contexto das medidas tributárias
Diversas ações da Fazenda geraram polêmica nos últimos meses. Primeiramente, o fim da isenção para compras internacionais afetou milhões de brasileiros.
Além disso, a tributação de offshores atingiu patrimônios no exterior. Fundos exclusivos e paraísos fiscais também entraram na mira.
Mais recentemente, as bets passaram a ser reguladas e tributadas. Portanto, o setor de apostas online agora contribui para arrecadação federal.
Essas medidas aumentaram receita do governo. Entretanto, geraram reação negativa em diversos setores da sociedade.
Estratégia de comunicação
Haddad mudou sua abordagem comunicacional sobre o tema. Anteriormente, o Ministério da Fazenda tentava minimizar críticas sobre aumento de impostos.
Agora, o ministro assume e defende abertamente as taxações. Dessa forma, busca controlar a narrativa política do debate.
A estratégia pode ter impacto eleitoral relevante. Afinal, 2026 se aproxima e Haddad é cotado para diversos cargos.
Entretanto, o próprio ministro já declarou não pretender disputar eleições. Portanto, sua atuação focaria em fortalecer o governo Lula.