
O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (19) praticamente estável. O principal índice da Bolsa brasileira registrou alta simbólica de 0,03%, aos 164.849,27 pontos.
O dólar comercial fechou com leve queda de 0,16% frente ao real. A moeda americana operou em baixa também no mercado internacional durante a sessão.
O feriado nos Estados Unidos reduziu significativamente a liquidez global. Portanto, os mercados apresentaram movimentos técnicos e baixa amplitude de variação.
Dólar recua globalmente
O índice DXY, que mede o dólar contra as principais moedas mundiais, caiu 0,34%. Dessa forma, fechou aos 99,05 pontos em sessão de fraqueza generalizada.
No Brasil, a moeda americana encerrou cotada a R$ 5,364 na venda. Além disso, operou entre mínima de R$ 5,346 e máxima de R$ 5,382.
“O dólar caminha para fechamento estável frente ao real em ambiente de liquidez reduzida”, explica Bruno Shahini. O especialista em investimentos da Nomad destaca o impacto do feriado americano.
Segundo ele, a baixa amplitude favoreceu movimentos técnicos no câmbio. Portanto, oscilações foram menores que em dias normais de negociação.
Tensões geopolíticas pesam
O cenário externo trouxe fatores de risco para os mercados nesta segunda-feira. Primeiramente, aumentaram as tensões em torno da Groenlândia.
Além disso, Donald Trump ameaçou impor novas tarifas à Europa. Consequentemente, a retórica da Casa Branca afetou negativamente as bolsas europeias.
“A retórica afetou as bolsas europeias, que fecharam majoritariamente em queda”, afirma Shahini. Entretanto, o movimento não provocou busca por proteção no dólar.
O principal canal de transmissão de risco foram os metais preciosos. Portanto, ouro e prata registraram alta em busca por ativos defensivos.
China decepciona e afeta commodities
Dados mais fracos da economia chinesa pressionaram o mercado brasileiro. O PIB chinês cresceu 5,0% em 2025, exatamente na meta oficial.
Entretanto, sinais de fraqueza apareceram na indústria e no varejo. Consequentemente, as informações prejudicaram as cotações do minério de ferro.
“Os dados mornos da economia chinesa afetaram Vale e siderúrgicas”, explica Bruno Perri. O economista-chefe da Forum Investimentos destaca a queda do minério.
As ações da Vale lideraram as perdas do Ibovespa. Além disso, siderúrgicas também operaram entre as maiores baixas do dia.
Haddad apoia BC e tranquiliza mercado
Repercutiu positivamente a entrevista de Fernando Haddad ao UOL. Segundo Perri, o ministro deu apoio institucional importante ao Banco Central.
“O apoio institucional dado ao BC no que tange à condução da política monetária foi positivo”, afirma. Além disso, Haddad defendeu a atuação na liquidação do Banco Master.
O ministro também sinalizou espaço para queda de juros futura. Portanto, a curva de juros doméstica reagiu bem aos comentários.
“Haddad, dando suporte ao trabalho de Galípolo, apontou enxergar espaço para queda de juros”, destaca Perri. Consequentemente, ações cíclicas reagiram positivamente.
Setores em destaque
Entre as maiores baixas, Vale e siderúrgicas refletiram a fraqueza chinesa. A Natura também caiu forte em movimento de correção técnica.
A empresa de cosméticos havia subido quase 4% na semana anterior. Portanto, o recuo representa realização de lucros pelos investidores.
Pelo lado positivo, ações cíclicas e utilities se destacaram. HAPV3, DIRR3 e CURY3 reagiram bem ao fechamento da curva de juros.
Essas empresas se beneficiam de cenário com perspectiva de juros menores. Dessa forma, aproveitam o tom mais otimista de Haddad.
Dólar perde força internacional
“O dólar cai globalmente por correção e reflexo do movimento do Trump”, analisa Perri. Segundo ele, a retórica agressiva mina gradualmente a referência americana.
A queda da moeda ajuda também a curva de juros brasileira. Portanto, taxas futuras recuaram em dia de alívio externo.
O economista ressalta que o ambiente de baixa liquidez amplificou movimentos defensivos. Assim, investidores buscaram proteção em ouro e prata.