
Os títulos prefixados viveram um ano extraordinário em 2025. Agora, investidores se perguntam o que esperar para 2026. A resposta envolve entender o contexto que gerou esses retornos.
O que impulsionou os prefixados em 2025
A elevada rentabilidade dos prefixados em 2025 tem origem no ciclo monetário brasileiro. O país atravessou momentos de alta incerteza fiscal e inflação resistente ao longo de 2024.
As taxas de juros futuras atingiram patamares historicamente altos. Dessa forma, o mercado precificou prêmios de risco elevados nos papéis. O fim de 2024 registrou retornos nominais negativos para esses ativos.
No primeiro semestre de 2025, porém, o cenário começou a mudar. O real se apreciou gradualmente frente ao dólar. Além disso, as expectativas de inflação recuaram de forma significativa.
Mudança no quadro macroeconômico
O quadro fiscal apresentou impulso próximo da neutralidade. Consequentemente, os prêmios embutidos nas curvas de juros foram corrigidos. O mercado passou a precificar o início do ciclo de cortes da Selic.
As expectativas apontavam para redução de 250 pontos-base na taxa básica. Portanto, parte relevante da recuperação decorreu de um efeito base. Os títulos devolveram os prêmios elevados do final de 2024.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a tendência indica que esse nível excepcional não se repetirá. O cenário-base prevê inflação controlada e política monetária mais previsível. Assim, os juros futuros devem permanecer em patamares mais baixos e estáveis.
Esse ambiente reduz o potencial de ganhos via marcação a mercado. Entretanto, ainda podem surgir oportunidades nos títulos prefixados. Novos choques de risco ou reprecificação fiscal podem criar janelas interessantes.
Os retornos, no entanto, tendem a ficar mais próximos do juro contratado. Dessa forma, não devemos esperar ganhos extraordinários como os observados em 2025.
Atividade econômica e cortes da Selic
A atividade econômica brasileira permanece resiliente. Por isso, não é possível projetar cortes mais agressivos da Selic no momento. O Banco Central deve manter cautela nas reduções.
Ainda assim, um cenário de recessão não pode ser descartado. Os juros reais elevados, atualmente em torno de 11% ao ano, pesam sobre a economia. Portanto, esse quadro pode mudar ao longo do ano.
Cenário alternativo de maior queda
Nesse contexto recessivo, poderíamos observar maior reancoragem das expectativas de inflação. A Selic terminal, ao final do ciclo, poderia ficar mais próxima de 11%. Consequentemente, abriria espaço para um novo rali nos ativos prefixados.
Essa possibilidade mantém os prefixados no radar dos investidores. Ademais, a volatilidade eleitoral de 2026 pode criar oportunidades pontuais. O mercado tende a reagir fortemente às sinalizações dos candidatos.
Janela para travar retornos elevados
O nível de juro real dos papéis prefixados permanece historicamente alto. As taxas acima de 7% ao ano abrem uma janela importante. Portanto, investidores podem travar esse retorno por prazos mais longos.
Quem carregar os títulos até o vencimento pode se beneficiar significativamente. Esses rendimentos podem durar vários anos através do efeito dos juros compostos. Assim, representam proteção contra incertezas futuras.
Um título prefixado com rendimento de 7% acima da inflação dobra o capital em 10 anos. Em termos reais, R$ 100 mil hoje se transformam em R$ 200 mil. Dessa forma, considerando IPCA de 4% ao ano, o valor nominal chegaria a R$ 284 mil.
Análise do especialista ASA
Fabiano Zimmermann, head de renda fixa do ASA, oferece perspectiva adicional sobre o cenário. Segundo ele, a rentabilidade excepcional de 2025 tem raízes claras no ciclo monetário anterior.
Após retornos negativos no fim de 2024, houve recuperação significativa no primeiro semestre de 2025. Parte dessa recuperação decorreu do efeito base mencionado anteriormente. As incertezas fiscais e inflacionárias foram gradualmente dissipadas ao longo do período.
Para 2026, Zimmermann não espera repetição da mesma magnitude de ganhos. Caso o cenário de inflação controlada se confirme, os juros futuros devem se estabilizar. Portanto, o potencial de ganhos via marcação a mercado diminui consideravelmente.
O especialista destaca que podem surgir oportunidades pontuais nos prefixados. Novos choques de risco ou reprecificação das expectativas fiscais criariam essas janelas. Entretanto, os retornos tenderão a ficar próximos do juro contratado.
Zimmermann observa que a atividade econômica resiliente limita cortes mais agressivos da Selic. Ainda assim, o cenário recessivo permanece possível dado o nível elevado dos juros reais. Nesse contexto, poderíamos ver maior reancoragem das expectativas de inflação.
A Selic terminal poderia ficar mais próxima de 11% ao final do ciclo. Consequentemente, abriria espaço para novo rali nos ativos prefixados. Essa possibilidade mantém a classe de ativos relevante nas carteiras para 2026.