Blindagem patrimonial: ação mira ex-sócio do Master
Foto: Paulo Mocofaya/Agência ALBA

O nome de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, voltou ao centro de uma disputa judicial de alto impacto.

A família Rezende Barbosa, antiga controladora do Banco Voiter, acusa o empresário de blindagem patrimonial em uma ação de cobrança que busca recuperar R$ 247 milhões.

O processo tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e envolve ainda os ex-sócios Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado.

Os três aparecem como garantidores solidários em uma operação de emissão de debêntures de R$ 470 milhões destinadas à DV Holding Financeira.

Estrutura societária sob suspeita de blindagem patrimonial

Segundo a ação, Augusto Lima teria estruturado seu patrimônio por meio de empresas que funcionariam como escudos patrimoniais para bens imobiliários. Os autores alegam que, embora os ativos não estejam em seu nome direto, o controle permaneceria sob sua influência.

Entre os exemplos citados está a criação da AC3 Cobranças e Participações, que recebeu imóveis como integralização de capital.

Posteriormente, as cotas teriam sido doadas às filhas, mantendo-se o usufruto vitalício dos direitos econômicos e políticos, mecanismo que, na visão dos credores, caracteriza blindagem patrimonial com controle indireto.

Outra empresa, a Lothian Participações Ltda, também entrou no radar da Justiça por integrar a estrutura societária atribuída ao empresário.

Justiça autorizou bloqueio de valores milionários

Em abril de 2025, os credores solicitaram o bloqueio de R$ 470 milhões dos ex-sócios do Banco Master e da DV Holding. A 22ª Vara Cível do TJSP autorizou a medida.

No caso de Augusto Lima, R$ 112 milhões foram localizados em conta ligada ao fundo Reag, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central por irregularidades graves. O fundo também é investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

O bloqueio durou oito dias e foi encerrado após acordo parcial entre as partes. Meses depois, diante de inadimplência, os credores voltaram a pedir nova restrição de bens.

Venda do Banco Voiter e ligação com o Banco Master

O caso tem origem na venda do Banco Voiter ao Banco Master em 2024. À época, os antigos controladores emitiram debêntures para capitalizar o Master.

Posteriormente, Augusto Lima deixou o Master e recomprou o Voiter. O Banco Central autorizou a operação em julho de 2025. A instituição foi então rebatizada como Banco Pleno.

Investigação criminal atinge executivos do Master

O imbróglio judicial ocorre paralelamente à investigação da Polícia Federal, que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) e fundos de investimento.

Augusto Lima, Daniel Vorcaro e outros executivos chegaram a ser presos na primeira fase da investigação, em novembro de 2025.

A defesa de Augusto Lima informou que não se manifestará sobre o caso.

O que esse caso sinaliza ao mercado

A acusação de blindagem patrimonial, somada à investigação criminal e às disputas judiciais bilionárias, coloca novamente em evidência os riscos de estruturas societárias complexas em operações financeiras de grande porte.

Para o mercado, o episódio reforça um alerta claro: transparência patrimonial e governança deixaram de ser diferenciais, tornaram-se exigência básica em negócios financeiros de alto risco.