
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou uma das maiores operações financeiras já vistas no Brasil. Após a liquidação do Banco Master, o fundo agora também cobre investidores do Will Bank, decretado em liquidação extrajudicial nesta semana.
De acordo com dados oficiais, R$ 40,6 bilhões serão distribuídos a cerca de 800 mil investidores. Mesmo após esse desembolso histórico, o FGC afirma manter liquidez de R$ 125 bilhões, garantindo capacidade para enfrentar cenários extremos de mercado.
A liquidação do Will Bank tende a elevar em até R$ 7 bilhões o volume de recursos que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precisará reembolsar aos investidores da instituição, integrante do conglomerado do Banco Master. Esse valor corresponde à estimativa de CDBs emitidos pelo Will Bank que ainda estavam em circulação.
O efeito sobre o fundo é relevante. Com a inclusão do Will Bank, o FGC poderá ter de desembolsar até R$ 48 bilhões, considerando também os ressarcimentos relacionados ao Banco Master. Esse total equivale a cerca de 40% do caixa disponível do fundo, atualmente em torno de R$ 122 bilhões.
A decisão foi formalizada nesta quarta-feira, quando o Banco Central determinou a liquidação da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. A instituição estava sob Regime Especial de Administração Temporária desde a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em 18 de novembro de 2025.
Por que o FGC precisou intervir
A sequência de liquidações começou em novembro de 2025, quando o Banco Central encerrou as operações do Banco Master por graves violações regulatórias e problemas de liquidez. Meses depois, o mesmo destino alcançou o Will Bank.
Com isso, o FGC foi acionado para cumprir sua função principal: proteger o investidor e impedir que a crise se espalhe pelo sistema financeiro.
Quanto o FGC garante por CPF ou CNPJ
O FGC oferece cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. O teto total é de R$ 1 milhão a cada quatro anos por investidor.
São protegidos produtos como:
- CDB
- LCI
- LCA
- RDB
- LC
- Conta corrente
- Poupança
O detalhe importante: o limite é por conglomerado financeiro, não por produto. Ou seja, diferentes aplicações no mesmo grupo somam para o cálculo da garantia.
Passo a passo para receber o pagamento do FGC
O investidor não recebe automaticamente. É necessário realizar o cadastro no aplicativo oficial do FGC, onde será feita:
- Validação por biometria
- Envio de documentos
- Criação de senha
- Assinatura digital da solicitação
Após a confirmação, o valor disponível aparece na tela e o pagamento é encaminhado para a conta indicada.
Para pessoas jurídicas, o processo realiza-se via Portal do Investidor no site do FGC.
Casos especiais, como menores de idade ou credores falecidos, exigem solicitação inicial por e-mail oficial do fundo.
Qual é o prazo para solicitar o ressarcimento
O investidor tem até cinco anos para pedir o pagamento da garantia, contados a partir da decretação da liquidação.
No caso do Banco Master, o prazo final vai até 18 de novembro de 2030.
Após esse período, o direito ao recebimento expira.
O que o investidor realmente recebe
O valor pago pelo FGC corresponde ao principal investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação.
Desde então, os recursos permanecem congelados, sem nova remuneração. Caso o saldo ultrapasse o limite de R$ 250 mil, o excedente permanece registrado na massa liquidante da instituição.
Se o CPF ou CNPJ não for localizado na base de credores, o investidor deverá contatar o liquidante da instituição para comprovar a aplicação, apresentando nota de negociação e último extrato mensal.
Como investir o dinheiro após o ressarcimento
Especialistas apontam que os valores devolvidos devem migrar, majoritariamente, para renda fixa conservadora.
A recomendação é aproveitar o momento para:
- Reforçar reserva de emergência
- Construir carteira diversificada
- Contar com orientação profissional
O objetivo: evitar repetir exposições desnecessárias a risco bancário.
Alerta contra golpes envolvendo o FGC
O FGC reforça que:
- Não cobra taxas
- Não antecipa valores
- Não envia links por WhatsApp ou SMS
- Não usa intermediários
Os únicos canais oficiais são aplicativo, site e atendimento institucional.
Por que este episódio muda o radar do investidor
O maior ressarcimento da história do FGC entra para os livros do mercado financeiro brasileiro. E deixa uma lição definitiva: rentabilidade alta não substitui análise de risco.
Quem entende o funcionamento do FGC, dorme mais tranquilo. Quem ignora, aprende do jeito difícil.