Como foi a ascensão e queda do Will Bank?

O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A medida decorre da extensão da liquidação do Banco Master, determinada em novembro de 2025.

A decisão consta de ato assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e tem como fundamento o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição. Além de sua insolvência e o vínculo de interesse decorrente do exercício do poder de controle do Banco Master sobre a Will Financeira.

Origem e rápido crescimento

O Will Bank surgiu com essa identidade em 2020, quando a emissora de cartões de crédito Meu Pag! passou a incorporar novas funcionalidades, transformando-se em um banco digital mais completo. Ainda naquele ano, a fintech alcançou a marca de 1,6 milhão de clientes após conquistar 400 mil novas contas. Além disso, o seu lucro avançou 338%, chegando a R$ 14,91 milhões.

Em 2021, a empresa se posicionava como um dos agentes de ampliação da bancarização no Brasil. Segundo dados divulgados pela própria fintech, cerca de 40% dos clientes tinham acesso a um cartão de crédito pela primeira vez. A base de usuários estava fortemente concentrada no Nordeste, região que reunia aproximadamente 60% dos clientes. À época, o CEO e cofundador Felipe Félix afirmou, em entrevista ao Brazil Journal, que o Will era “o banco que diz sim aos invisíveis do crédito”.

Aporte e estratégia de marketing

Ainda em 2021, a empresa recebeu um aporte de R$ 250 milhões, liderado pela XP e pela Atmos Capital. Paralelamente, o Will intensificou sua estratégia de marketing, apostando em personalidades com forte apelo entre o público jovem, como o humorista Whindersson Nunes e as cantoras Pabllo Vittar e Danny Bond.

A fintech também firmou parcerias com ex-participantes do Big Brother Brasil, como a médica Thelminha Assis, além de marcar presença em programas de televisão de grande audiência, como o Domingão.

Aquisição pelo Banco Master

A liquidação extrajudicial do Will ocorre em meio ao colapso de outras instituições ligadas ao Banco Master. A aquisição da fintech pelo conglomerado, no entanto, foi concluída apenas em fevereiro de 2024, em uma operação cujo valor não foi divulgado.

Naquele momento, o Will Bank informava contar com 1,2 mil colaboradores e atender cerca de 6 milhões de clientes em todo o país. Seu portfólio incluía cartão de crédito e débito, conta digital, investimentos, crédito pessoal e marketplace.

Quem era o Will Bank antes da crise

O Will Bank vinha em rápida expansão digital. Porém, os números recentes revelavam fragilidade:

  • R$ 14,4 bilhões em ativos
  • Prejuízo de R$ 244,7 milhões
  • Patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões
  • R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo

A instituição não possuía depósitos à vista e dependia fortemente de captação via CDBs, estrutura que se mostrou vulnerável diante da crise de confiança.

Crise, insolvência e liquidação

Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, sob a justificativa de que a instituição enfrentava uma grave crise de liquidez. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou que o banco possuía patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões correspondiam a recursos líquidos em caixa, conforme dados do fechamento de setembro.

Apesar da medida, o Banco Central decidiu manter o Banco Master Múltiplo em operação sob o Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mecanismo que permite a continuidade das atividades enquanto uma nova gestão tenta reestruturar a instituição. A Will Financeira permanecia sob a alçada do conglomerado.

As tentativas de preservar a operação do Will, no entanto, não prosperaram. Na última segunda-feira (19), a Will Financeira deixou de cumprir um arranjo de pagamentos com a Mastercard. Diante desse cenário, o Banco Central afirmou que se tornou inevitável a liquidação extrajudicial da instituição, em razão do comprometimento de sua situação econômico-financeira, da insolvência e do vínculo de controle exercido pelo Banco Master, já sob liquidação.