
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu discurso nesta quarta-feira (21), em Davos, para concentrar uma série de mensagens voltadas a aliados históricos e a rivais estratégicos.
Ao longo da fala, Trump abordou temas centrais da agenda internacional, como Groenlândia, Otan, Europa, China, energia, Venezuela e a guerra na Ucrânia.
O tom adotado combinou cobrança direta, revisão de alianças e indicações de prioridades para a política externa norte-americana.
Groenlândia, Otan e Europa dominam a agenda
Trump voltou a defender negociações imediatas para que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia. Segundo ele, a ilha tem relevância estratégica e não estaria adequadamente protegida.
“Não conseguimos defender a Groenlândia sem termos a sua propriedade”, afirmou o presidente. Em outro momento, classificou o território como “um pedaço de gelo” e disse que a aquisição seria “um pedido muito pequeno”.
Apesar disso, Trump declarou respeito pela população local e pela Dinamarca, afirmando que não pretende recorrer ao uso da força. “Não vou usar força na Groenlândia”, disse, ao lembrar que os EUA já mantiveram bases militares no território no passado.
No mesmo bloco, o presidente reforçou críticas aos países da OTAN, afirmando que cada aliado precisa ser capaz de defender seu próprio território. Ainda assim, buscou equilibrar o discurso ao declarar que os Estados Unidos seguem “100% com a Otan”.
Sobre a Europa, Trump disse desejar aliados fortes, mas avaliou que o continente “não está indo na direção certa”. Ele voltou a criticar políticas migratórias e energéticas europeias, afirmando que essas escolhas afetaram a competitividade e elevaram os custos de energia.
Críticas à China e à política energética
O presidente também direcionou ataques à China e às políticas de energia renovável. Ao comentar a expansão de parques eólicos chineses, Trump afirmou que o país “vende isso para pessoas estúpidas”, reforçando sua visão crítica sobre a transição energética conduzida por Pequim.
Na avaliação do republicano, decisões desse tipo distorcem o mercado e enfraquecem a indústria em outras regiões do mundo.
Venezuela entra no radar
Trump mencionou a Venezuela ao afirmar que o país deve arrecadar mais nos próximos seis meses do que nos últimos 20 anos.
O presidente não detalhou quais medidas ou acordos sustentariam essa projeção, mas a fala foi interpretada como um possível sinal de reavaliação da política norte-americana em relação ao governo venezuelano, ainda submetido a sanções.
Ucrânia e possível negociação
Ao tratar do conflito no Leste Europeu, Trump disse que pode se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Segundo ele, Zelensky “talvez queira fazer um acordo hoje”, sem fornecer mais detalhes sobre o conteúdo de uma eventual negociação.
Energia nuclear ganha espaço no discurso
Encerrando a pauta energética, Trump afirmou que grandes petroleiras estão trabalhando em parceria com os Estados Unidos.
Ele destacou ainda o engajamento de seu governo com a energia nuclear, classificada como estratégica para garantir crescimento econômico, segurança energética e competitividade industrial no longo prazo.