Guilherme Boulos / Foto:  Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Guilherme Boulos / Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deu declarações animadoras sobre o fim da escala 6×1. Segundo ele, o projeto está “avançando muito bem” no Congresso Nacional.

Além disso, há possibilidade de votação ainda neste semestre. A afirmação foi feita nesta quarta-feira, 21, durante entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Duas frentes no Congresso

O fim da escala 6×1 é prioridade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Portanto, existem duas frentes legislativas em andamento.

No Senado, tramitam quatro Propostas de Emendas à Constituição (PEC) sobre o tema. A mais antiga, de 2015, já teve parecer aprovado no final do ano passado. Esse parecer estabelece transição gradual até a jornada máxima de 36 horas semanais.

na Câmara, uma PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) aguarda análise da Comissão de Trabalho. Dessa forma, o tema ganha força em ambas as casas legislativas.

Resistência empresarial é forte

Durante a entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, Boulos foi direto. A proposta enfrenta forte oposição de grandes empresários.

Entretanto, o governo não pretende recuar. Segundo o ministro, esse é um tema “inegociável” para Lula.

“Os empresários resistem como sempre resistiram a qualquer direito de trabalhador”, afirmou Boulos. Ele comparou a situação atual com momentos históricos do país.

O ministro citou exemplos do passado. “Os latifundiários do século 19 resistiram à Lei Áurea. Se dependesse deles, era escravidão até hoje”, declarou.

Além disso, Boulos lembrou da criação do salário mínimo por Getúlio Vargas. “Diziam que ia ser um caos e que as empresas iriam embora do Brasil”, relembrou.

Governo pode recuar em parte da proposta

Apesar da firmeza, Boulos admitiu uma possível adaptação. Com a correlação de forças no Congresso, o governo avalia mudanças.

A perspectiva é diminuir para cinco dias trabalhados e dois de repouso. Portanto, a proposta original de quatro dias de jornada pode ficar de lado.

“O poder de lobby dos grandes empresários é gigantesco nesse País”, criticou o ministro. Ele foi duro nas palavras contra os opositores.

“É muita grana, é muita gente herdeira defendendo escala 6×1 para os outros”, disparou Boulos. Segundo ele, essas mesmas pessoas “estão lá no jantar com caviar e champanhe”.

Transição gradual para pequenos empresários

O ministro defendeu um modelo de transição e adaptação. Dessa forma, a redução da jornada não afetaria pequenos empresários. Além disso, Boulos atacou a taxa de juros atual. Ele pediu nominalmente ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a redução da Selic.

“Parte do problema que vai aliviar os pequenos e médios empresários é a redução da taxa de juros escorchante”, argumentou. Para o ministro, os juros são o principal obstáculo aos produtores. “Não tem o que justifique juro de Selic a 15% ao ano”, criticou.

“Pode vir qualquer economista liberal aqui com o seu papinho”, provocou Boulos. Ele classificou a taxa atual como “injustificável” e “de agiotagem”.

Próximos passos

O governo mantém a redução da jornada como prioridade. Portanto, as articulações no Congresso continuam intensas.

Com a votação prevista para este semestre, trabalhadores aguardam ansiosamente. Entretanto, a resistência empresarial ainda é grande.