Ibovespa
Ibovespa. Foto: Divulgação/B3

A Bolsa brasileira atingiu um marco inédito nesta quarta-feira (21). O Ibovespa ultrapassou pela primeira vez na história a marca dos 170 mil pontos, impulsionado por fluxo estrangeiro intenso, queda do dólar e alívio nas tensões geopolíticas globais.

No pico do dia, o principal índice da B3 chegou a 170.146,28 pontos. Por volta das 13h50, avançava 2,16%, aos 170.072,03 pontos.

O movimento confirma a tendência observada desde o ano passado: investidores globais estão reduzindo a exposição concentrada nos Estados Unidos e ampliando posições em mercados emergentes, com o Brasil entre os principais destinos.

Fluxo estrangeiro ganha força com diversificação global

A alta do Ibovespa ocorre em meio a um movimento internacional conhecido no mercado como “Sell America”. Investidores têm reavaliado o risco dos ativos americanos diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Europa.

Além disso, a retórica do presidente Donald Trump sobre tarifas comerciais e a tentativa de ampliar o controle dos EUA sobre a Groenlândia elevou o prêmio de risco dos ativos americanos. Como resultado, parte do capital migrou para outros mercados.

Nesse contexto, o Brasil se beneficia. Analistas internacionais destacam que o país está bem posicionado para capturar esse fluxo, especialmente pela combinação de valuation atrativo, juros elevados e liquidez.

Dólar cai e reforça apetite por risco no Brasil

O ingresso de recursos externos pressionou o câmbio. O dólar comercial caiu cerca de 1%, sendo negociado próximo de R$ 5,32.

A queda da moeda americana também reflete o enfraquecimento global do dólar, com recuo do índice DXY, e favorece ativos locais, ao reduzir pressões inflacionárias e melhorar as condições financeiras.

Além disso, os juros futuros recuaram ao longo da curva, reforçando o ambiente favorável para a Bolsa.

Discurso de Trump em Davos reduz tensão nos mercados

Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump adotou um tom menos agressivo ao tratar da Groenlândia. O presidente afirmou que pretende negociar o controle do território, mas descartou o uso de força militar.

A sinalização ajudou a aliviar os temores de escalada geopolítica. As bolsas de Nova York reagiram positivamente: o S&P 500 e o Nasdaq passaram a operar em alta, o que reforçou o apetite global por risco.

Política doméstica também entra no radar

No cenário local, investidores acompanharam os resultados da mais recente pesquisa eleitoral da AtlasIntel. O levantamento mostrou redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.

Segundo a pesquisa, a diferença caiu para 4 pontos percentuais, com Lula marcando 49% e o senador 45%. O mercado interpretou o dado como sinal de maior competitividade eleitoral, fator que influencia expectativas fiscais e econômicas.

Blue chips puxam recorde do Ibovespa

A máxima histórica do Ibovespa foi sustentada pela forte valorização das ações de maior peso no índice. A Vale avançou cerca de 3%, enquanto a Petrobras subiu aproximadamente 4%.

Os grandes bancos também tiveram desempenho positivo, com altas próximas de 2%, ampliando o impacto sobre o índice.

Levantamento da Elos Ayta mostra que o avanço do Ibovespa em janeiro tem sido concentrado em papéis como Cogna, TIM, Bradespar, Embraer e Vale. Algumas dessas empresas, como Bradespar, Vale e Embraer, atingiram máximas históricas recentes.

Recorde reflete mudança estrutural no fluxo global

Para analistas, o movimento vai além de um rali pontual. A combinação entre diversificação internacional, juros elevados no Brasil e menor atratividade relativa dos EUA cria um ambiente estruturalmente favorável para ativos brasileiros.

Com dólar fraco, juros em queda e fluxo externo consistente, o mercado local consolida seu espaço como alternativa relevante no cenário global, e o recorde do Ibovespa passa a ser visto menos como exceção e mais como consequência desse novo equilíbrio.