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A liquidação extrajudicial do Will Bank deixou milhares de clientes em dúvida. Afinal, quem tinha dívida no cartão ainda precisa pagar?

Além disso, o que acontece com quem tinha dinheiro em conta? A resposta é clara, mas divide as situações em dois cenários distintos.

Fatura do cartão: obrigação continua

A notícia não é boa para quem esperava livrar-se das dívidas. Portanto, mesmo com a liquidação, você ainda precisa pagar as faturas do cartão.

Dessa forma, quem atrasar o pagamento enfrenta as mesmas consequências de antes. Ou seja, juros, multas e até negativação do nome continuam valendo.

Carla Beni, economista e professora da FGV, reforça o alerta. Além disso, ela é conselheira do Conselho Regional de Economia de São Paulo (CORECON-SP).

“As compras já realizadas continuam válidas e o cliente deve seguir pagando as parcelas normalmente”, explica Beni. Portanto, atrasar gera os mesmos juros e multas contratados.

Quem vai cobrar as faturas?

Com o banco liquidado, surge outra dúvida natural. Afinal, quem fará as cobranças daqui para frente?

O Banco Central nomeia um liquidante no ato da liquidação extrajudicial. Essa instituição fica responsável por vender os ativos do banco e cobrar os devedores.

Nesse caso, as dívidas de cartão de crédito são um ativo do Will Bank. Consequentemente, elas entram na conta da liquidação.

“O valor devido continua sendo um passivo do consumidor, que agora passa a ser cobrado pela instituição responsável pela liquidação”, esclarece Beni.

No caso do Will Bank, o BC nomeou Eduardo Félix Bianchini como liquidante. Portanto, ele será responsável pela cobrança das faturas.

Ademais, Bianchini é ex-servidor do Banco Central e já atuou em outros oito casos semelhantes. Além disso, ele também conduz a liquidação do Banco Master no momento.

Dinheiro em conta: acesso bloqueado

Por outro lado, quem tinha saldo em conta enfrenta situação diferente. Os valores ficam bloqueados até a liberação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Portanto, você não consegue mais movimentar o dinheiro imediatamente. Entretanto, existe proteção para valores até R$ 250 mil.

O FGC funciona como uma espécie de “seguro” contra a falência de bancos. Dessa forma, ele reembolsa valores de contas correntes e alguns investimentos.

O fundo protege CDBs, LCIs, LCAs, RDBs e a poupança. Assim, quem tinha esses produtos pode recuperar os valores.

Quanto tempo demora para receber?

A liberação do FGC não é imediata. Portanto, é preciso aguardar alguns meses até poder solicitar o dinheiro.

Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, recomenda cautela. “O cliente deve evitar movimentações arriscadas e aguardar instruções do BC”, orienta.

Exemplo prático: No caso do Banco Master, a liquidação saiu em novembro de 2025. Entretanto, os valores só ficaram disponíveis para resgate em janeiro de 2026.

Ou seja, o processo levou cerca de dois meses. Portanto, espera-se prazo similar para o Will Bank.

Cartões já não funcionavam

Os cartões de crédito do Will já estavam sem funcionar desde terça-feira, 20. Além disso, foi justamente a falta de repasse para a Mastercard que motivou a liquidação.

Entretanto, clientes reportam problemas há meses. A personal trainer Wanessa Karla conta sua experiência.

“Eu tentava usar o cartão com saldo, e dava negado”, relata Wanessa. Além disso, ela ficou com R$ 100 bloqueados na conta corrente. Portanto, os sinais de dificuldade financeira já eram visíveis antes da liquidação oficial.

O que fazer agora

Se você é cliente do Will Bank, siga estas orientações:

1. Continue pagando as faturas Primeiramente, não deixe de pagar as faturas do cartão. Assim, você evita juros e negativação.

2. Guarde comprovantes Além disso, salve todos os comprovantes de pagamento das faturas. Dessa forma, você tem provas em caso de cobranças duplicadas.

3. Cadastre-se no FGC Em seguida, se tinha dinheiro em conta, acesse o site do FGC. Portanto, faça o cadastro para solicitar o ressarcimento.

4. Acompanhe comunicados Ademais, fique atento aos canais oficiais do Banco Central. Assim, você recebe instruções sobre os próximos passos.

5. Evite golpes Por fim, desconfie de promessas de recuperação rápida. Consequentemente, só acesse sites e aplicativos oficiais.