will bank
Foto: Glassdoor

O Fundo Garantidor de Créditos enfrenta um dos maiores testes de sua história. Entretanto, especialistas avaliam que a estrutura permanece firme. Portanto, não há risco imediato à estabilidade do sistema.

“O impacto do caso do Will Bank sobre o FGC é relevante, mas não chega a ameaçar a sua estabilidade”, explica o analista financeiro Marcos Bassani, especialista em investimento. Assim, mesmo após desembolsos bilionários, o fundo mantém capacidade operacional adequada.

A instituição possui estrutura financeira sólida. Além disso, recebe aportes contínuos dos próprios bancos participantes. Consequentemente, já enfrentou episódios semelhantes no passado sem maiores problemas.

Margem de conforto reduzida

O pagamento aos clientes do Will Bank está dentro da capacidade do fundo. Entretanto, o episódio reduz sua margem de conforto. Portanto, intervenções futuras serão avaliadas com mais cautela.

“Na prática, o FGC segue funcionando normalmente, mas passa a adotar uma postura mais conservadora”, afirma o especialista. Dessa forma, há menos tolerância a instituições mal capitalizadas ou com governança frágil.

Os números confirmam o impacto: R$ 40,6 bilhões distribuídos a cerca de 800 mil investidores. Mesmo assim, o FGC mantém liquidez de R$ 125 bilhões. Consequentemente, ainda possui capacidade para enfrentar cenários extremos.

Como a crise afeta bancos médios e digitais

Para o setor bancário, o efeito é mais perceptível nos bancos médios e digitais. Assim, o caso reforça a percepção de risco nessas instituições.

“O caso reforça a percepção de risco nessas instituições, encarece a captação de recursos e aumenta o escrutínio tanto do mercado quanto do Banco Central”, explica Bassani.

Investidores passam a exigir juros mais altos para financiar esses bancos. Além disso, alternativas de resgate via fusões ou aportes emergenciais ficam mais raras. Consequentemente, o custo de capital sobe significativamente.

Lição sobre o FGC

Do ponto de vista da confiança, o episódio traz lição importante. Assim, reforça que o FGC é um mecanismo de proteção, não um selo de qualidade.

“O episódio reforça que o FGC é um mecanismo de proteção, não um selo de qualidade da instituição”, destaca o especialista. Portanto, lembra ao público que bancos digitais também estão sujeitos a falhas.

O fundo garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. Entretanto, isso não significa que todas as instituições possuem a mesma solidez. Consequentemente, investidores devem fazer análise própria de risco.

Impacto na confiança dos investidores

A questão central preocupa o mercado: o que acontece com a confiança no setor bancário? Dessa forma, investidores revisam estratégias e portfólios.

“O caso impacta negativamente a confiança no setor bancário, especialmente em bancos menores ou digitais que usam estratégias agressivas de captação com altas taxas de retorno”, afirma Marcos.

Investidores agora demonstram mais cautela. Portanto, avaliam com rigor a solidez das instituições. Dessa forma, não se deixam seduzir apenas por taxas atrativas.

Quem ganha com a crise

Apesar do cenário negativo, alguns players se fortalecem. Assim, bancos com estruturas maiores e balanços positivos ganham mercado.

“Os bancos com estruturas maiores, perenes e com balanços positivos, tendem a se beneficiar neste cenário, por serem sólidos e confiáveis”, explica o especialista.

Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil captam clientes assustados. Além disso, expandem sua base sem grandes esforços de marketing. Consequentemente, consolidam ainda mais sua liderança.

Cenário de médio prazo

No curto prazo, o episódio gera ruído e desconfiança. Entretanto, no médio prazo tende a resultar em mudanças estruturais.

“No médio prazo tende a resultar em um sistema financeiro mais rígido, concentrado e com menor tolerância a modelos de negócio arriscados”, avalia o analista.

Tanto reguladores quanto investidores ficam mais exigentes. Portanto, bancos precisarão demonstrar solidez real. Dessa forma, estratégias agressivas de crescimento perdem espaço.