
O mercado de capitais brasileiro encerrou 2025 com volume recorde de R$ 838,8 bilhões em ofertas, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Anbima. O montante representa um crescimento de 6,4% em relação a 2024 e consolida a força da renda fixa e dos produtos estruturados em um ambiente ainda marcado por juros elevados.
O principal destaque do ano foram os fundos imobiliários (FIIs), que registraram um salto de 77,2% no volume de ofertas, alcançando R$ 79,2 bilhões. Já os fundos de direitos creditórios (FIDCs) também avançaram, com alta de 9,5%, somando R$ 90,8 bilhões.
Renda fixa domina e alcança patamares inéditos
De acordo com a Anbima, a renda fixa respondeu por R$ 737,7 bilhões em ofertas em 2025, crescimento de 3,4% na comparação anual. Debêntures, notas comerciais, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e FIIs atingiram níveis inéditos, com forte protagonismo dos títulos de securitização.
O levantamento mostra que sete em cada dez ofertas públicas de renda fixa realizadas no mercado brasileiro no ano passado foram de títulos estruturados, refletindo a busca dos investidores por previsibilidade e proteção em um cenário de custo de capital elevado.
Mercado de ações segue travado
Na contramão desse movimento, o segmento de renda variável continuou pressionado. As ofertas envolvendo ações recuaram 37,9%, totalizando apenas R$ 15,5 bilhões em 2025. O número de transações permaneceu baixo, passando de nove para dez operações.
O último IPO registrado na bolsa brasileira ocorreu em 2021, com a abertura de capital da Wilson Sons. A empresa, no entanto, deixou a B3 no ano passado após ser adquirida pela MSC, reforçando o período prolongado de seca de ofertas iniciais no mercado acionário.
Para efeito de comparação, em 2021, o volume de operações com ações havia atingido R$ 128 bilhões, evidenciando a forte retração do segmento nos últimos anos.
Instrumentos híbridos ganham espaço
Outro destaque de 2025 foi o crescimento dos instrumentos híbridos, que somaram R$ 85,6 bilhões, bem acima dos R$ 49,5 bilhões registrados em 2024. O avanço reflete a busca por alternativas que combinem características de dívida e capital, em um ambiente de maior seletividade por parte dos investidores.
Leitura de mercado
Os dados reforçam uma tendência clara: o mercado de capitais brasileiro segue ativo, mas com um perfil mais defensivo. Com juros ainda elevados, o apetite por risco permanece contido, enquanto produtos ligados à renda fixa, crédito estruturado e imóveis ganham protagonismo.
A retomada mais consistente das ofertas de ações, segundo analistas, dependerá de uma combinação de queda sustentável dos juros, maior previsibilidade fiscal e melhora do ambiente macroeconômico, fatores que ainda estão no radar, mas não totalmente precificados pelo mercado.