Veja o resumo da noticia

  • Crescimento da população idosa no Brasil exige atenção para o planejamento financeiro de longo prazo, impactando o sistema previdenciário.
  • Baixa adesão ao planejamento financeiro para a aposentadoria é um desafio, com poucos brasileiros se preparando para o pós-carreira.
  • Especialistas enfatizam a importância da organização financeira desde cedo, visando uma aposentadoria ativa e com qualidade de vida.
  • Diversificação do patrimônio e reserva de emergência são passos cruciais, além da atenção aos gastos com saúde na terceira idade.
ITCMD x Reforma tributária
Foto: Freepik

O Brasil envelhece em ritmo acelerado. Em 2023, o número de pessoas com 60 anos ou mais superou, pela primeira vez, a população entre 15 e 24 anos. Segundo projeções do IBGE, essa tendência deve se intensificar. Por volta de 2042, os idosos devem formar a maior faixa etária do país.

Ainda assim, o planejamento financeiro não acompanha essa transformação. Dados da 7ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima em parceria com o Datafolha, mostram que apenas 19% dos brasileiros não aposentados iniciaram uma reserva para a aposentadoria. Na prática, isso significa que apenas uma em cada cinco pessoas se prepara financeiramente para o pós-carreira.

Envelhecimento pressiona orçamento das famílias e sistema previdenciário

Com o aumento da expectativa de vida, cresce a necessidade de renda por mais tempo. Além disso, despesas com saúde tendem a se intensificar ao longo dos anos. Esse cenário pressiona o orçamento das famílias e amplia os desafios do sistema previdenciário brasileiro.

Nesse contexto, especialistas alertam que o problema não está apenas na escolha de produtos financeiros. O principal entrave é a falta de uma visão de longo prazo. Para Marcos Ferreira, especialista em mercado securitário e cofundador da Silver Hub, a aposentadoria precisa ser repensada.

“Viver mais exige enxergar a aposentadoria como uma nova etapa ativa da vida. Essa fase demanda recursos para manter qualidade de vida, autonomia e acesso à saúde”, afirma.

Planejamento começa antes da escolha dos investimentos

Segundo o especialista, o ponto de partida está na organização financeira durante a fase ativa da carreira. Primeiramente, é essencial reservar parte da renda mensal. Além disso, a construção de uma reserva de emergência, equivalente a pelo menos seis meses de despesas, ajuda a reduzir riscos.

Outro passo importante envolve a diversificação do patrimônio. Ativos que geram renda passiva no longo prazo ganham relevância nesse processo. Ao mesmo tempo, Marcos chama atenção para um fator frequentemente negligenciado.

“Os maiores gastos com saúde costumam surgir a partir dos 60 ou 70 anos. Por isso, essa fase exige preparação financeira específica”, explica.

Começar tarde custa mais caro

Para o especialista, o maior erro é adiar o planejamento. Quem começa tarde enfrenta mais esforço mensal e menor margem de segurança. Ainda assim, é possível estruturar um plano com apoio profissional e ferramentas de controle financeiro.

A preparação para a aposentadoria deve ser encarada como um projeto de longo prazo. Em muitos casos, esse processo pode durar até 40 anos. Quanto mais cedo ele começa, menor é o impacto no orçamento mensal. Além disso, o efeito dos juros compostos amplia os resultados ao longo do tempo.

“Em um país que envelhece rapidamente, planejar a aposentadoria deixou de ser uma escolha. Hoje, trata-se de uma necessidade estratégica”, conclui Marcos Ferreira.