Veja o resumo da noticia
- Itaú Unibanco revisa projeções e adia início do ciclo de cortes da Selic para março, alinhando-se à expectativa majoritária do mercado financeiro.
- Mercado aposta na manutenção da Selic em 15% na próxima reunião do Copom, refletindo sinais de desaceleração econômica e inflação controlada.
- Trajetória da Selic segue restritiva, com projeção de cortes graduais a partir de março, visando preservar a credibilidade do regime de metas.
- Itaú eleva projeção de crescimento do PIB para 2026, impulsionado por cenário externo favorável e estímulos fiscais e parafiscais.
- Projeções para IPCA em 4,0% e dólar a R$ 5,50 em 2026 refletem expectativas de desaceleração de preços e incertezas no cenário doméstico.
- Riscos fiscais e eleitorais entram no radar, com projeção de déficit primário e necessidade de ajuste fiscal para estabilizar a dívida pública.

O Itaú Unibanco revisou suas projeções macroeconômicas para 2026 nesta sexta-feira (23), e passou a estimar que o ciclo de cortes da Selic começará em março, e não mais em janeiro. Com isso, o banco se junta à posição que já virou maioria no mercado.
A expectativa predominante é que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa Selic em 15% na reunião da próxima quarta-feira (28).
Mercado reforça aposta em manutenção dos juros
Segundo a Opção de Copom, negociada na B3, 87% dos investidores esperam pela manutenção da Selic. Apenas 13% ainda apostam no início imediato dos cortes. Há um mês, o cenário era menos consensual, com 62% defendendo a estabilidade.
Além disso, para o Itaú, o Copom tende a ganhar confiança de que a política monetária atual começa a produzir efeitos. Os analistas apontam sinais de desaceleração da atividade econômica e melhora gradual da inflação.
Ainda assim, o banco vê espaço limitado para pressa. A avaliação é que a queda da inflação segue concentrada nos bens, enquanto os preços de serviços permanecem pressionados, o que exige cautela adicional.
Trajetória da Selic segue restritiva
No novo cenário, o Itaú projeta que o Copom iniciará os cortes com redução de 0,25 ponto percentual a partir de março. A taxa básica deve encerrar 2026 em 12,75% ao ano e 2027 em 11,75%, ainda em patamar considerado restritivo.
A leitura do banco é que o BC buscará preservar a credibilidade do regime de metas, especialmente em um ambiente de incerteza fiscal e eleitoral.
PIB cresce mais em 2026
O Itaú revisou para cima a projeção de crescimento do PIB em 2026, de 1,7% para 1,9%. A mudança reflete um cenário externo mais favorável e o impacto de estímulos fiscais e parafiscais, como gastos públicos e medidas de crédito.
Portanto, para 2027, a estimativa é de crescimento de 1,7%, já incorporando menor impulso fiscal e uma política monetária menos apertada.
Inflação e câmbio
A projeção para o IPCA em 2026 e 2027 segue em 4,0% em ambos os anos. O banco espera desaceleração nos preços de bens e serviços, enquanto os alimentos devem subir, influenciados pelo ciclo das proteínas.
No câmbio, o Itaú projeta dólar a R$ 5,50 em 2026 e R$ 5,70 em 2027. Um dólar globalmente mais fraco tende a ajudar moedas emergentes. No entanto, a incerteza doméstica e o cenário eleitoral devem manter o prêmio de risco elevado.
Segundo o banco, a deterioração estrutural das contas externas limita uma valorização mais intensa do real.
Fiscal entra no radar com eleição
No campo fiscal, o Itaú projeta déficit primário de 0,8% do PIB em 2026. O principal risco está na adoção de novos estímulos à demanda em ano eleitoral, com possibilidade de despesas acima do limite do arcabouço fiscal.
O banco avalia que a disputa presidencial de 2026 tende a ser competitiva. Apesar da necessidade de um ajuste fiscal relevante, estimado em cerca de 4 pontos percentuais do PIB para estabilizar a dívida pública, os preços dos ativos indicam probabilidade próxima de 50% de que esse ajuste ocorra no próximo governo.
Para estabilizar a dívida em torno de 80% do PIB, o Itaú estima que será necessário um superávit primário próximo de 3% do PIB no médio prazo.