
Todos os anos, a Receita Federal retém em malha fina mais de 1 milhão de declarações de Imposto de Renda. Apesar disso, a maioria dos casos não envolve fraude. Na prática, o Fisco identifica inconsistências de informações, erros de preenchimento e ausência de comprovação documental.
O ponto central, é que esses problemas raramente surgem no momento da declaração. Em geral, eles começam meses antes, ainda no início do ano, quando contribuintes tomam decisões financeiras sem planejamento e sem acompanhamento contábil adequado.
Declaração reflete decisões acumuladas ao longo do ano
Segundo Patrícia Bastazini, sócia da Bastazini Contabilidade, um erro recorrente é tratar o Imposto de Renda como um evento isolado.
“A declaração é apenas a fotografia final. Tudo o que aparece ali foi construído ao longo de doze meses de decisões financeiras, muitas vezes sem organização”, afirma.
Quando isso acontece, divergências se tornam inevitáveis. As informações declaradas deixam de bater com dados enviados por bancos, empresas e fontes pagadoras. Como resultado, o sistema da Receita aciona alertas automáticos.
Misturar pessoa física e jurídica eleva o risco
Entre os principais fatores que levam à malha fina está a mistura entre contas pessoais e empresariais. Além disso, muitos empresários realizam retiradas financeiras sem definir corretamente pró-labore ou distribuição de lucros.
Outro problema frequente é a falta de acompanhamento dos rendimentos, das despesas dedutíveis e da evolução patrimonial. Sem esse controle, a declaração passa a apresentar lacunas e incoerências que exigem explicações posteriores ao Fisco.
Crescimento sem controle amplia a exposição fiscal
O crescimento dos negócios sem estrutura financeira adequada também pesa contra o contribuinte. Dados do IBGE mostram que muitas empresas brasileiras não mantêm controle financeiro mensal organizado.
Nesse cenário, empresários olham apenas para o faturamento e ignoram o fluxo do dinheiro. Assim, perdem a real dimensão de lucro, caixa e obrigações tributárias. “Quando isso ocorre, o risco fiscal cresce de forma significativa”, alerta Patrícia.
Janeiro define o risco ao longo do ano
Para a contadora, janeiro é o mês-chave para evitar problemas futuros com o Fisco. Nesse período, o contribuinte deve estabelecer regras claras, separar pessoa física de jurídica, definir políticas de retirada e organizar documentos.
Além disso, o acompanhamento contábil contínuo reduz falhas e antecipa correções. “A contabilidade preventiva diminui o risco de autuações, evita impostos pagos indevidamente e traz previsibilidade financeira. Quando esse cuidado falta, o Imposto de Renda apenas expõe o problema”, conclui.