Veja o resumo da noticia
- Consumo no Brasil em 2026 demonstra assimetria, com retração no varejo de bens e crescimento notável no setor de serviços impulsionado pela digitalização.
- Varejo de bens enfrenta desafios como juros altos e crédito restrito, impactando a compra de bens duráveis, enquanto itens essenciais mostram resiliência.
- Serviços impulsionados por aplicativos de delivery, seguros e transporte, refletindo a busca por conveniência, proteção financeira e modelos digitais.
- Transformação no consumo prioriza conveniência, experiência e serviços recorrentes, com empresas focando em eficiência e digitalização.
- Retomada econômica em 2026 será desigual, influenciada pelo crédito, renda e confiança do consumidor, com foco no uso e experiência.

A economia brasileira começou 2026 com um comportamento assimétrico do consumo. Enquanto o varejo de bens entrou em modo defensivo, o setor de serviços mostrou crescimento mais consistente e estrutural. A conclusão é de um estudo do IBEVAR em parceria com a FIA Business School.
No primeiro trimestre, o varejo de bens recuou 0,48%, refletindo juros elevados, crédito restrito e maior cautela dos consumidores. Em contraste, os serviços avançaram, impulsionados por modelos digitais, conveniência, receitas recorrentes e maior busca por previsibilidade financeira.
Varejo de bens segue pressionado e opera em modo defensivo
O desempenho do varejo de bens foi desigual. Segmentos ligados ao consumo essencial e recorrente sustentaram algum crescimento. Já os bens duráveis e discricionários continuaram pressionados pela postergação de decisões de compra.
O destaque positivo ficou para artigos farmacológicos, médicos e de perfumaria, que avançaram 6,86%, beneficiados pelo envelhecimento da população e pela maior atenção à saúde. Também registraram crescimento vestuário e calçados (+2,69%), equipamentos para escritório e comunicação (+3,97%) e hipermercados e supermercados (+1,02%), sinalizando a resiliência do consumo básico.
Por outro lado, segmentos de maior valor agregado permaneceram em retração. Automóveis, motos, partes e peças caíram 2,25%, enquanto materiais de construção (-1,75%), móveis e eletrodomésticos (-1,99%) e livros e papelaria (-3,56%) seguiram pressionados. O quadro reforça um consumidor mais seletivo e avesso a compromissos financeiros de longo prazo.
Serviços crescem com digitalização e busca por previsibilidade
Em sentido oposto, o setor de serviços apresentou desempenho significativamente mais dinâmico no início de 2026. Os maiores crescimentos ocorreram em aplicativos de delivery (+21,2%), seguro residencial (+20,6%) e aplicativos de transporte (+15,9%).
O avanço reflete a consolidação do modelo on-demand, a digitalização do consumo e a busca por proteção financeira. Além disso, serviços ligados à experiência, como restaurantes, turismo, shows, spas e academias, também avançaram, especialmente entre consumidores de renda média e alta.
Segmentos tradicionais perdem tração
Apesar do bom desempenho agregado, parte dos serviços enfrentou retração. Streaming, cinema, teatro, consultoria e cursos registraram queda, impactados por saturação de mercado, mudanças tecnológicas e maior seletividade do consumidor.
Ainda assim, o estudo aponta que o setor de serviços mantém maior resiliência por operar com modelos escaláveis, digitais e com receitas recorrentes, o que reduz a volatilidade em momentos de incerteza econômica.
Mudança reflete ajuste estrutural no consumo
Segundo Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, a divergência entre bens e serviços indica uma transformação mais profunda no comportamento do consumidor.
“As famílias priorizam conveniência, experiência, proteção e recorrência, enquanto reduzem ou adiam a aquisição de bens físicos, especialmente os duráveis. Do lado das empresas, há maior foco em eficiência operacional, digitalização e serviços essenciais”, afirma.
Crescimento seguirá desigual ao longo de 2026
O estudo indica que a retomada da economia em 2026 deve ocorrer de forma desigual. O ritmo dependerá da evolução do crédito, da renda real e da confiança do consumidor.
No curto prazo, o crescimento tende a ser puxado mais pelo uso, pela experiência e pelos serviços do que pela compra de bens. O cenário reforça um ciclo ainda cauteloso, mas em clara transformação no padrão de consumo brasileiro.