Geração Z
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A indústria global de bebidas alcoólicas acumulou uma perda estimada de US$ 830 bilhões nos últimos quatro anos, reflexo de uma mudança estrutural no comportamento da Geração Z. Jovens estão reduzindo o consumo de álcool e priorizando um estilo de vida focado em saúde, bem-estar e performance física.

O movimento não indica isolamento social. Pelo contrário. A socialização continua ativa, mas com novos formatos. Bares e baladas perdem espaço para academias, corridas, aulas coletivas e eventos esportivos, enquanto o mercado de wellness avança de forma consistente.

Consumo de álcool cai entre jovens

Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) mostram que 46% dos jovens entre 18 e 24 anos não consomem bebidas alcoólicas. Outros 20% bebem apenas uma vez por mês ou menos. Em levantamentos globais, 26% da Geração Z se declaram totalmente abstêmios.

A queda é relevante também no recorte histórico. Estudos internacionais indicam que o consumo de álcool entre jovens caiu mais de 25% na última década, pressionando receitas, margens e valuation das grandes companhias do setor.

Diante desse cenário, marcas tradicionais tentam se adaptar. O avanço das bebidas sem álcool e de produtos com apelo funcional reflete uma tentativa de acompanhar um público que associa álcool a perda de performance e menor controle emocional.

Vida fitness vira eixo de socialização

A troca da “festa no bar” por experiências ativas se espalha pelas grandes cidades brasileiras. Em vez de madrugadas regadas a álcool, cresce o número de comemorações em aulas coletivas, treinos especiais e eventos ao ar livre.

No Distrito Federal, por exemplo, aniversários e datas comemorativas passaram a ser celebrados em academias, parques e estúdios esportivos. A proposta une socialização, exercício físico e experiências compartilhadas, com foco em saúde e bem-estar.

Dados do Vigitel, divulgados em 2024, mostram que 47,6% da população do DF praticava atividade física regularmente em 2023, bem acima da média nacional, de 40%. O número reforça a força local do movimento fitness.

Geração Z impulsiona mercado de wellness

A mudança de comportamento é visível também nos números do setor esportivo. Um estudo sobre gerações no esporte aponta que a participação da Geração Z em eventos esportivos subiu de 7,9% para 11% em 2024.

Além disso, pesquisas internacionais indicam que o wellness está entre as três maiores prioridades de vida da Geração Z, à frente até de carreira e relacionamentos. O exercício físico deixa de ser apenas estética e passa a ser visto como ferramenta de controle de ansiedade, foco e saúde mental.

Levantamentos mostram ainda que 65% dos jovens treinam para melhorar saúde emocional, enquanto cerca de 50% desejam treinar, mas ainda não começaram, o que indica forte demanda reprimida para o setor.

Academias se adaptam e ampliam retenção

Diante dessa mudança, academias e estúdios passaram a reposicionar seus serviços. Espaços fitness adotam o conceito de lifestyle, com eventos exclusivos, aulas comemorativas e experiências personalizadas para grupos.

O impacto aparece nos indicadores do setor. Academias com proposta de lifestyle apresentam até 30% mais retenção entre jovens, segundo dados da indústria. No Brasil, o mercado de academias movimenta entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões por ano, enquanto o mercado global de wellness pode alcançar US$ 434 bilhões até 2028.