Veja o resumo da noticia

  • Divulgação do IPCA-15 de janeiro pelo IBGE, com estimativa de taxa mensal em 0,25%, similar a dezembro, porém com composição de preços diferente.
  • Avanço do IPCA-15 para 4,56% no acumulado de 12 meses, influenciado por uma base de comparação mais fraca no início do ano anterior.
  • Aceleração do grupo alimentação no domicílio como principal destaque, impulsionada por reajustes de produtos in natura típicos do período.
  • Desaceleração do grupo de serviços, impactada pela deflação das passagens aéreas, atenuando pressões inflacionárias mais amplas.
  • Aceleração da média dos núcleos de inflação, indicando pressão tanto em serviços quanto em bens industrializados, exigindo cautela.
  • Observação atenta do mercado e do Banco Central à composição dos preços e ao comportamento dos núcleos para avaliar a persistência.
Foto: Reprodução Canva
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O IBGE divulga nesta terça-feira (27) o IPCA-15 de janeiro, considerado a principal prévia da inflação oficial. Segundo estimativa do ASA, a taxa mensal deve ficar em 0,25%, repetindo o ritmo observado em dezembro, mas com mudanças importantes na composição dos preços.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 deve avançar para 4,56%, refletindo uma base de comparação mais fraca no início de 2025. Em janeiro do ano passado, a inflação foi próxima de zero, influenciada pelo desconto na conta de energia elétrica decorrente do bônus de Itaipu.

Alimentos pressionam inflação no início do ano

Na margem, o principal destaque deve ser a aceleração do grupo alimentação no domicílio, movimento típico do primeiro trimestre. Produtos in natura e itens básicos costumam registrar reajustes mais fortes neste período, o que tende a pressionar o índice.

De acordo com o ASA, esse comportamento sazonal deve compensar parcialmente o alívio observado em outros grupos. Assim, mesmo com uma taxa mensal estável, a composição da inflação muda de forma relevante.

Serviços devem desacelerar com passagens aéreas

Por outro lado, o grupo de serviços deve apresentar desaceleração, influenciado principalmente pela deflação das passagens aéreas. O recuo nos preços do transporte aéreo costuma aliviar o índice no início do ano, ajudando a conter pressões mais amplas.

Apesar disso, o cenário segue exigindo atenção. Segundo o ASA, a média dos núcleos de inflação deve acelerar na margem, sinalizando maior pressão tanto em serviços quanto em bens industrializados.

Núcleos seguem no radar do mercado

Para o economista Leonardo Costa, do ASA, o dado reforça a necessidade de cautela na leitura da inflação corrente.

“A média de núcleos deve acelerar na margem, com maior pressão sobre serviços e bens industrializados, apesar do alívio pontual vindo das passagens aéreas”, afirmou Costa.

Dessa forma, mesmo com um número mensal comportado, o comportamento subjacente da inflação continua no radar dos investidores e do Banco Central.

Dado será decisivo para expectativas de juros

A divulgação do IPCA-15 ocorre em um momento sensível para a política monetária. O mercado busca sinais mais claros sobre a trajetória da inflação antes de discutir qualquer mudança no atual patamar da Selic.

Assim, a leitura desta terça-feira será observada não apenas pelo número cheio, mas principalmente pela composição dos preços e pelo comportamento dos núcleos, que ajudam a medir a persistência inflacionária.