Veja o resumo da noticia

  • Mudança na liderança global da Heineken ocorre em meio a um cenário de queda no consumo de cerveja no mercado brasileiro.
  • Investimentos da Heineken no Brasil contrastam com a retração do mercado, gerando questionamentos sobre o retorno financeiro.
  • Queda no consumo é atribuída a fatores climáticos, concorrência das apostas esportivas e menor frequência de feriados.
  • Estratégias de preços da Heineken e da Ambev refletem a disputa em um mercado com volumes de vendas em declínio.
  • Copa do Mundo e melhora nas condições climáticas são esperadas para impulsionar o consumo em 2026, mas cautela persiste.
Imagem: Shutterstock
Imagem: Shutterstock

A Heineken anunciou a troca de seu CEO global em um momento delicado. O mercado brasileiro de cerveja registra queda expressiva de volumes. Além disso, as margens de lucro enfrentam forte pressão.

A saída de Dolf van den Brink do comando global levanta questionamentos. Afinal, a empresa mantém investimentos robustos no Brasil justamente durante a crise.

Expansão em momento crítico

A nova planta de Passos, em Minas Gerais, adiciona 5 milhões de hectolitros anuais. No entanto, o mercado caminha na direção oposta. Consequentemente, analistas questionam o retorno desses investimentos.

No terceiro trimestre de 2025, os volumes globais caíram 4,3%. Enquanto isso, nas Américas a retração chegou a 7,4%. Portanto, o cenário preocupa investidores.

Brasil lidera perdas no setor

Segundo a CervBrasil, o consumo caiu entre 6,5% e 7% até setembro. Paulo Petroni, diretor-geral da entidade, projeta retração total de 5% a 6% em 2025.

O mercado deve encolher de 15,5 bilhões para 14,7 bilhões de litros. Assim, representa a maior queda dos últimos anos.

Diversos fatores explicam a retração. Primeiramente, houve menos dias ensolarados em 2025. Além disso, as temperaturas ficaram abaixo da média. Por fim, poucos feriados prolongados prejudicaram as vendas.

As apostas esportivas também roubam parte do orçamento. “O dinheiro que seria da cerveja foi para as bets”, explica Petroni.

Estratégia de preços divide opiniões

A Heineken congelou reajustes entre abril de 2024 e julho de 2025. Depois, aplicou aumento médio de 6%. Entretanto, a decisão já sinalizava dificuldades no segmento premium.

Renata Cabral, analista do Citi, alerta sobre os riscos. “A empresa adiciona capacidade com volumes fracos”, afirma. Dessa forma, o retorno dos investimentos pode demorar mais.

A Ambev também sofre com a retração. Porém, seu portfólio premium permanece competitivo. Ainda assim, ambas brigam por um mercado menor. Dados da NielsenIQ confirmam a tendência. Entre janeiro e novembro, as vendas caíram 4%. Contudo, a frequência de compra se manteve estável.

Gabriel Fagundes, da NielsenIQ, explica o fenômeno. “O consumidor compra, mas leva menos litros por vez”, observa.

Perspectivas para 2026

Alguns fatores podem ajudar na recuperação. A Copa do Mundo promete impulsionar o consumo. Ademais, mais feriados e clima mais quente favorecem as vendas.

Mesmo assim, especialistas mantêm cautela. “Esperamos melhora nas ocasiões de consumo”, pondera Fagundes. Entretanto, a renda das famílias ainda preocupa.

A troca de liderança na Heineken reflete os desafios do setor. Portanto, 2026 será decisivo para o mercado cervejeiro brasileiro.