Criptomoedas desabam com tarifas de Trump e incerteza global
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Os mercados globais iniciaram esta terça-feira (27) em tom levemente positivo, sustentados pela expectativa de resultados robustos das grandes empresas de tecnologia dos EUA e pela fraqueza do dólar no mercado internacional. O movimento favorece ativos de risco, incluindo o Bitcoin, que opera em relativa estabilidade, próximo de US$ 88.700.

Na Ásia, as bolsas avançaram acompanhando a melhora do humor dos investidores, mesmo diante de novas tensões comerciais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas adicionais sobre produtos sul-coreanos, o que reacendeu preocupações no comércio global. Ainda assim, o foco do mercado permanece nos balanços de empresas como Microsoft, Apple e Tesla, que devem ser divulgados nos próximos dias.

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, o cenário atual tende a sustentar o Bitcoin no curto prazo, embora sem catalisadores suficientes para uma alta mais agressiva.

“A combinação de dólar fraco e expectativa positiva para resultados corporativos melhora o apetite por risco global, o que beneficia o Bitcoin. No entanto, as incertezas geopolíticas ainda limitam movimentos mais fortes no curto prazo”, afirma Franco.

Consolidação com viés levemente positivo

Na avaliação do especialista, o Bitcoin apresenta um viés neutro a levemente positivo, com espaço para consolidação nos níveis atuais. O retorno gradual do movimento risk-on ajuda a sustentar os preços, enquanto a fraqueza do dólar funciona como um fator adicional de suporte.

Por outro lado, a persistência de riscos externos, especialmente ligados a tensões comerciais e decisões políticas nos Estados Unidos, reduz a probabilidade de uma valorização mais acentuada no curto prazo. Assim, o cenário mais provável é de movimento lateral, com pequenas apreciações técnicas pontuais.

BlackRock reforça institucionalização do Bitcoin

No campo institucional, a BlackRock voltou a ganhar destaque ao protocolar junto à SEC um novo pedido de ETF de Bitcoin com foco em geração de renda. A proposta busca atrair investidores interessados não apenas na valorização do ativo, mas também em fluxos recorrentes, possivelmente por meio de estratégias com opções.

A iniciativa ocorre após o sucesso do IBIT, ETF de Bitcoin à vista da gestora, e reforça a estratégia de transformar o BTC em uma classe de ativo financeira completa para o investidor institucional.

Riscos operacionais seguem no radar

Apesar do avanço institucional, o setor também enfrentou notícias negativas. O U.S. Marshals Service investiga o roubo de cerca de US$ 40 milhões em criptoativos apreendidos, levantando dúvidas sobre protocolos de custódia governamental. O caso expõe fragilidades operacionais, mesmo em ambientes considerados de alta segurança.

Além disso, nos Estados Unidos, mineradores de Bitcoin reduziram temporariamente suas operações devido a uma forte tempestade de inverno. A medida, comum em situações de estresse energético, provocou uma queda momentânea no hash rate global da rede, sem impacto estrutural até o momento.

Pressão regulatória no Reino Unido preocupa setor

No Reino Unido, um relatório do grupo CryptoUK alertou para o agravamento do fenômeno de debanking, com empresas cripto enfrentando dificuldades crescentes para acessar serviços bancários. Segundo o estudo, essa exclusão financeira contrasta com o discurso do governo britânico de transformar o país em um hub global de criptoativos.