Veja o resumo da noticia
- Lula busca evitar que a crise do Banco Master prejudique a imagem do governo e questione a autonomia das instituições como PF e Banco Central.
- O governo pretende defender a autonomia da PF e do BC, garantindo investigação técnica da fraude, evitando interferência política e protegendo o Executivo.
- Reunião de Lula com dono do Master, a pedido de Mantega, e encontro com Toffoli e Haddad elevam a preocupação e motivam estratégia de distanciamento.
- Revelação sobre contrato de Lewandowski com o Banco Master enquanto era ministro da Justiça adiciona um novo capítulo à crise e aumenta o desgaste.
- A orientação de Lula é evitar reações que admitam receio do governo, mantendo o foco na defesa das apurações da PF e do BC sobre o caso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende manter o governo fora de uma posição defensiva diante da crise do Master.
Segundo apuração da CNN, Lula compartilhou com ministros uma avaliação clara sobre o caso. O episódio não pode contaminar a imagem do governo nem colocar em dúvida a atuação de instituições.
Defesa da autonomia institucional
Por isso, o governo deve concentrar esforços em defender publicamente a autonomia da Polícia Federal e do Banco Central. A ideia central é que a fraude do Master seja investigada tecnicamente, sem interferência política.
Nos bastidores, porém, auxiliares admitem a preocupação do presidente. O desgaste político existe, especialmente com a condução da investigação pelo ministro Dias Toffoli.
A postura oficial será diferente. O governo pretende manter a crise de credibilidade como algo restrito ao Supremo. Assim, não haveria risco ao Executivo desde que não haja comprovação de envolvimento governamental.
Reuniões fora da agenda oficial
Esse discurso começou a ser adotado após uma revelação importante. Lula se reuniu fora da agenda oficial com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em dezembro do ano passado. A reunião ocorreu a pedido do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Informações apuradas pela CNN indicam que Vorcaro apontou as dificuldades do banco. No entanto, ouviu de Lula que o assunto seria tratado exclusivamente pelo Banco Central.
Ainda em dezembro, Lula também esteve com Dias Toffoli. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou do encontro. A conversa ocorreu em meio aos avanços das discussões sobre o caso, após a imposição do sigilo na investigação.
Contrato de Lewandowski amplia a crise
O episódio ganhou novo capítulo nesta segunda-feira (26). O Portal Metrópoles revelou que o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, manteve um contrato de R$ 5 milhões com o Banco Master mesmo quando era ministro.
Lewandowski afirmou que a consultoria ocorreu no período em que atuava na advocacia privada. Segundo ele, retirou-se do escritório após ingressar no governo.
Estratégia de distanciamento
A partir de agora, a orientação de Lula é evitar reações que admitam receio do governo. O presidente quer manter a ideia de que defende as apurações e a atuação da PF e do BC no caso.
Ao mesmo tempo, busca distanciar-se da condução de Dias Toffoli sobre a crise. Por enquanto, considera isso um problema restrito ao STF.