Veja o resumo da noticia
- Banco Pleno, anteriormente Voiter, busca comprador ou parceiro estratégico no mercado financeiro, conforme informações recentes.
- Estratégia do Banco Pleno envolve parcerias e possível atuação no Credcesta, exigindo aporte financeiro significativo de investidores.
- Restrições do Banco Central e histórico de reestruturações impactam a confiança e a capacidade de captação do Banco Pleno.
- Banco Pleno afirma cumprir exigências regulatórias e nega investigações, mantendo a operação dentro da legislação vigente.

Ganhou força no mercado financeiro nos últimos dias a informação de que o Banco Pleno, antigo Banco Voiter, procura um comprador ou parceiro estratégico. O banqueiro Augusto Lima controla a instituição, também aparece entre os investigados no caso do Banco Master e manteve sociedade com Daniel Vorcaro.
Procurada, a assessoria do banco negou um processo formal de venda. Segundo a instituição, a estratégia mira parcerias. “O Banco Pleno segue o plano de negócios aprovado pelo Banco Central e avalia parcerias estratégicas para fortalecer a operação”, informou em nota.
Proposta inclui Credcesta e exige aporte bilionário
Executivos do setor de crédito consignado afirmaram à reportagem que a estrutura do negócio prevê uma operação combinada. O investidor que entrar no Pleno também poderá atuar no Credcesta, cartão de benefício consignado com presença nacional.
Fontes do mercado estimam que o interessado precise aportar ao menos R$ 1 bilhão. Além disso, analistas do setor calculam que o banco necessite de outros R$ 2 bilhões para operar com maior folga financeira.
Pessoas que acompanham o processo afirmam que o FGC pode apoiar a operação, seja por meio de uma linha emergencial de crédito, seja com subsídio ao negócio.
Prisão de controlador ampliou risco percebido
O Banco Central autorizou a venda do então Voiter para Augusto Lima em julho de 2024. Quatro meses depois, a Operação Compliance Zero levou o banqueiro à prisão. A investigação apura suspeitas de fraude na venda de carteiras do Banco Master ao BRB.
Após a soltura, a Justiça determinou o monitoramento de Lima por tornozeleira eletrônica.
J&F analisa setor, mas rejeita ativo
Profissionais do mercado relatam que o banco apresentou a operação a diversos investidores. Entre eles, aparece a J&F, controladora da JBS.
Os irmãos Joesley Batista e Wesley Batista estudam expandir a atuação no crédito consignado. O grupo contratou Márcio Alaor, ex-BMG, e avalia aquisições no segmento.
Com presença em 24 estados e 176 municípios, o Credcesta surge como um atalho relevante para essa estratégia. O Banco Pleno, porém, não desperta o mesmo interesse entre investidores.
Em nota enviada à reportagem, a J&F afirmou que “o grupo não tem interesse em nenhum dos ativos mencionados” e reforçou que o foco segue no IPO do PicPay.
Restrições do BC e alto passivo pesam contra banco
O mercado classifica o Pleno como um ativo de maior risco. Por determinação do Banco Central, o banco não pode emitir novos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) para captação.
No mercado secundário, investidores negociaram esses papéis a até 165% do CDI no fim de 2025.
Dados do BC, referentes a junho de 2025, indicam patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro líquido de R$ 169,3 milhões. Ao mesmo tempo, o passivo totalizou R$ 6,68 bilhões, dos quais R$ 5,4 bilhões correspondem a CDBs.
Sem novas emissões, pois, o banco enfrenta maior dificuldade para cumprir compromissos financeiros.
Histórico de reestruturações limita confiança
A trajetória do banco inclui sucessivas reestruturações. Quando ainda operava como Indusval, a instituição já enfrentava dificuldades. O foco em crédito para empresas e agronegócio gerou prejuízos recorrentes.
Em 2019, o banco adotou o nome Voiter e tentou uma transformação digital. A estratégia não avançou. Em 2023, a Capital Consig apresentou uma proposta de compra, mas o negócio não prosperou. Em fevereiro de 2024, o Banco Master assumiu o controle.
Além disso, em julho de 2025, o BC aprovou a transferência para Augusto Lima, que rebatizou a instituição como Banco Pleno.
Banco afirma cumprir exigências regulatórias
Em nova manifestação, a assessoria do Pleno afirmou que o banco possui autorização plena para operar e cumpre todas as exigências do CMN.
A instituição declarou ainda que reduziu gradualmente a exposição ao FGC e reforçou que não responde a investigações ou questionamentos de órgãos reguladores, mantendo atuação dentro da legislação vigente.