Veja o resumo da noticia

  • Investimento no audiovisual brasileiro atinge R$ 1,41 bilhão em 2025, impulsionado por políticas públicas e superando recordes anteriores.
  • FSA investe diretamente em produções e financia infraestrutura, modernização e aquisição de equipamentos no setor audiovisual.
  • Aumento de recursos públicos reflete no crescimento da produção nacional, com destaque para obras independentes e regionais.
  • Crescimento da participação do cinema nacional nas salas de exibição após a retomada da política de cotas de tela.
  • Expansão dos investimentos marca a retomada do FSA após período de restrição e correção de problemas financeiros.
Foto: Divulgação
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O investimento viabilizado por políticas públicas para o audiovisual brasileiro atingiu R$ 1,41 bilhão em 2025, maior valor da série histórica. O montante supera o recorde anterior de R$ 1,098 bilhão, registrado em 2023, e representa um crescimento de 29% em relação a 2024, segundo dados divulgados pela Ancine na terça-feira (27).

O total resulta da combinação de três frentes. O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) respondeu por R$ 564,3 milhões em investimentos diretos em produções. Além disso, o fundo liberou R$ 411 milhões na forma de financiamento. Já as leis de incentivo viabilizaram a captação de R$ 437,8 milhões por produtores.

Veja os valores de cada politica publica do audiovisual dos últimos 10 anos:

Foto: Divulgação Ancine

O volume investido diretamente pelo FSA também bateu recorde e superou os R$ 522,2 milhões registrados em 2018, até então o maior patamar da série.

Como funcionam as linhas de apoio

A linha de investimento do FSA destina recursos diretamente à produção de filmes e séries nacionais. Já a modalidade de crédito financia empresas do setor para gastos em infraestrutura, modernização de estúdios e aquisição de equipamentos.

Segundo a Ancine, a combinação desses instrumentos ampliou o alcance das políticas públicas e fortaleceu a cadeia produtiva do audiovisual.

Produção nacional também atinge novo recorde

O aumento dos recursos públicos refletiu diretamente no volume de obras produzidas. Em 2025, a Ancine registrou 3.981 obras brasileiras não publicitárias, alta de 4% em relação ao recorde anterior de 2024, quando foram contabilizadas 3.829 produções.

Desse total, 2,5 mil obras foram classificadas como produções brasileiras independentes. Em 2024, esse número havia sido de 2.343, o que representa um crescimento de 6,7%.

As políticas de descentralização também ampliaram a participação regional. Produtoras sediadas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste registraram 810 obras em 2025, avanço de 9% frente ao recorde anterior, de 743 produções.

Presença maior nas salas de cinema

A participação do cinema nacional nas salas de exibição também avançou. Em 2023, os filmes brasileiros respondiam por cerca de 3% das exibições. Em 2025, esse percentual cresceu aproximadamente 10%, segundo a agência.

O movimento ocorreu após o governo federal retomar, em 2024, a política de cotas de tela, que estabelece uma quantidade mínima de exibições de obras nacionais conforme o número de salas de cada complexo. O decreto foi renovado em dezembro de 2025.

Retomada após crise de governança do FSA

A expansão dos investimentos desde 2023 marca uma retomada do Fundo Setorial do Audiovisual após anos de restrição. Em 2018, uma investigação conduzida pelo TCU e pelo MPF apontou um descompasso entre o caixa do fundo e suas obrigações financeiras.

Naquele ano, o FSA havia disponibilizado R$ 1,13 bilhão em chamadas públicas, mas passou a operar com déficit de cerca de R$ 200 milhões. A correção exigiu anos de baixa atividade, reforço nos controles de liberação de recursos e uma força-tarefa para reduzir a fila de prestações de contas.

Segundo a Ancine, o fundo hoje apresenta uma situação diferente. “O FSA superou os patamares históricos de investimento, mas desta vez com lastro financeiro garantido e governança sustentável”, afirmou a agência em nota.