Veja o resumo da noticia

  • O dólar enfrenta desvalorização global devido a especulações sobre intervenção coordenada entre Japão e EUA para conter a queda do iene.
  • Relatos sobre consultas do Federal Reserve a bancos sobre a taxa de câmbio entre dólar e iene alimentaram expectativas de intervenção.
  • A possível ação coordenada com os EUA ganha relevância após intervenções isoladas do Japão apresentarem resultados limitados.
  • Estratégia busca evitar queda acentuada do iene, mantendo o mercado em alerta, evitando o uso direto de reservas cambiais.
  • Discussões remetem ao Acordo de Plaza de 1985, que enfraqueceu o dólar, impactando a economia global e o poder de compra.
  • Comentários de Donald Trump sobre um dólar mais fraco e percepções sobre o Federal Reserve influenciam a desvalorização.
  • Investidores buscam proteção em metais e ouro, enquanto o mercado se mantém atento a sinais de coordenação cambial futura.
REUTERS/Florence Lo/File Photo
REUTERS/Florence Lo/File Photo

O dólar está em queda no mundo todo. Nesta quarta-feira (28), a moeda americana continua perdendo força globalmente. Dois fatores principais explicam esse movimento: uma declaração de Donald Trump e um rumor sobre o iene.

A especulação envolve uma possível intervenção coordenada entre Japão e Estados Unidos. O objetivo seria conter a desvalorização do iene japonês. Mesmo sem confirmação oficial, o boato foi suficiente para agitar os mercados.

Como tudo começou

Na sexta-feira (23), surgiu um relato importante. O Federal Reserve de Nova York teria consultado bancos sobre a taxa de câmbio entre dólar e iene. Esse procedimento é chamado de rate check.

Portanto, o mercado interpretou isso como sinal de possível intervenção oficial. Em seguida, investidores começaram a desfazer posições vendidas em iene. Esse movimento aconteceu rapidamente.

Em apenas duas sessões, o iene se valorizou cerca de 3%. Assim, a moeda japonesa chegou a operar abaixo de 153 por dólar. Antes disso, havia se aproximado de 159.

Por que o mercado reagiu tão forte

Não houve confirmação de intervenção direta. Além disso, dados do Banco do Japão não mostraram atuação relevante. No entanto, o impacto foi imediato e significativo.

O peso do possível envolvimento americano explica a reação. Anteriormente, em 2022 e 2024, o Japão agiu sozinho para sustentar o iene. Consequentemente, os resultados foram limitados e temporários.

Uma ação coordenada com Washington teria muito mais força. Por isso, a simples sinalização bastou para mudar expectativas. Dessa forma, gerou movimentos rápidos no câmbio global.

O objetivo das autoridades

Um ex-dirigente do Banco do Japão explicou a estratégia à Reuters. Segundo ele, a meta não é defender um nível específico do iene. Em vez disso, busca-se evitar uma “queda unilateral e rápida” da moeda.

Nesse contexto, manter o mercado em alerta pode ser muito eficaz. Muitas vezes, isso funciona tão bem quanto intervir diretamente. Assim, as autoridades conseguem resultados sem gastar reservas.

Lembranças do Acordo de Plaza

A discussão trouxe comparações com o Acordo de Plaza de 1985. Naquela época, Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido atuaram juntos. O objetivo era enfraquecer o dólar e fortalecer outras moedas.

O acordo funcionou. Consequentemente, o iene passou de 230 por dólar para perto de 120. Esse movimento aumentou o poder de compra japonês. Portanto, facilitou grandes aquisições de ativos nos EUA.

Entretanto, também contribuiu para uma bolha de ativos no Japão. O colapso dessa bolha resultou em décadas de crescimento fraco. Além disso, a inflação permaneceu baixa por muitos anos.

Hoje, a situação mudou bastante. O Japão representa cerca de 4% da economia global. Em 1985, era 18%. Mesmo assim, o debate sobre coordenação cambial ainda influencia muito o mercado.

O peso do precedente histórico explica esse fenômeno. Portanto, mesmo sem ações concretas, a discussão já movimenta investidores globalmente.

Perspectivas para o dólar

O JPMorgan avalia que o rumor catalisou um movimento já existente. Segundo o banco, “a semana foi uma tempestade perfeita”. Assim, combinaram-se ambiente macroeconômico pró-cíclico e riscos de política econômica nos EUA.

Os relatos sobre rate checks indicavam possível intervenção coordenada. Consequentemente, isso ativou partes inesperadas da política americana. Além disso, levou a uma fraqueza ampla do dólar.

O movimento foi liderado por moedas mais cíclicas. Por exemplo, o dólar australiano teve destaque. Embora o dólar opere abaixo de alguns modelos de valor justo, essas distorções podem se ampliar.

Sinais dos Estados Unidos

A leitura do mercado também foi influenciada por Trump. Seus comentários sugeriram apoio a um dólar mais fraco. Portanto, isso reforçou a tendência de desvalorização.

Rich Privorotsky, da Goldman Sachs, destaca “muitas correntes cruzadas internacionais”. Ademais, há percepção de que um Federal Reserve liderado por Rick Rieder seria menos duro. Isso comparado a outras alternativas discutidas pelo mercado.

Nesse ambiente, investidores globais buscam proteção. Metais e ouro têm ganhado destaque. Aliás, o ouro já ultrapassa US$ 5.300 por onça troy.

O que vem pela frente

O mercado permanece atento a novos sinais. Afinal, qualquer confirmação de coordenação cambial pode gerar mais volatilidade. Enquanto isso, o dólar segue pressionado globalmente.

Para investidores, a mensagem é clara: mesmo rumores podem mover mercados. Portanto, é fundamental acompanhar os desenvolvimentos de perto. Assim, é possível se proteger da volatilidade cambial.