
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (28) que o uso da força não resolve os problemas estruturais da América Latina. Por isso, defendeu a substituição da intervenção militar pela diplomacia. A declaração ocorreu na sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá.
“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério”, afirmou o presidente.
Críticas ao intervencionismo
Além disso, Lula disse que práticas baseadas em poder militar representam retrocessos. Segundo ele, disputas por influência e recursos não oferecem soluções duradouras.
“A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constitui gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, declarou.
O presidente já havia criticado ações militares dos Estados Unidos na região. Nesse contexto, voltou a citar a operação realizada em 3 de janeiro, na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores.
Desarmamento e diálogo
Ao tratar de segurança, Lula afirmou que a “liberdade contra o medo” exige reduzir o uso da força entre países.
“A liberdade contra o medo exige limitar o recurso ao uso da força e às agressões entre nações”, disse.
Segundo ele, a região precisa de lideranças comprometidas com soluções institucionais.
“Precisamos de lideranças comprometidas com mecanismos institucionais capazes de articular, de forma equilibrada, os diferentes interesses nacionais”, afirmou.
Dessa forma, Lula defendeu a manutenção da América Latina e do Caribe como uma zona de paz e cooperação, guiada pelo direito internacional.
Relação com os Estados Unidos
Apesar das críticas, o presidente reconheceu que houve momentos positivos na relação com os Estados Unidos.
“Entre tantas doutrinas que marcaram a história, também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento”, afirmou. Nesse sentido, Lula defendeu uma política de boa vizinhança.
“O que defendemos é uma política de boa vizinhança, capaz de substituir a intervenção militar pela diplomacia”, disse.
Integração regional como saída
Por fim, o presidente afirmou que nenhum país da região resolverá seus problemas isoladamente.
“Nenhum país da América Latina será capaz de resolver seus problemas sozinho”, declarou.
Segundo Lula, a superação dos desafios regionais depende de vontade política conjunta de países como Chile, Argentina, Colômbia, Panamá, Venezuela e Honduras, com foco em desenvolvimento e combate à fome.