Veja o resumo da noticia

  • Aumento nos preços de materiais escolares acima da inflação impacta o orçamento familiar no início do ano, pressionando as finanças.
  • Alta demanda concentrada e fatores estruturais como o câmbio e custos de transporte influenciam os preços dos materiais escolares.
  • Compra em massa e falta de tempo para pesquisa elevam os preços, afetando famílias, especialmente as de baixa renda.
  • Endividamento aumenta com parcelamentos para compra de materiais, comprometendo a renda familiar nos meses seguintes.
Alta nos materiais escolares
Imagem gerada por IA

A volta às aulas de 2026 começa em alta no orçamento das famílias brasileiras. Os preços dos materiais escolares seguem avançando acima da inflação geral, em um movimento que reforça a pressão financeira típica do início do ano.

Pesquisas de mercado mostram que a chamada “cesta de volta às aulas” teve um aumento de 5,32% em 2025, enquanto o IPCA acumulado no mesmo período ficou em 4,26%, indicando um encarecimento acima da média da economia.

Em médio prazo, a diferença é ainda mais visível. Entre 2021 e 2025, os preços dos materiais escolares acumularam alta de 39,34%, superando a inflação geral do período, que foi de 33,13%, segundo dados de mercado.

Demanda previsível

O cenário ocorre em um momento de maior sensibilidade financeira para os consumidores, que enfrentam simultaneamente os gastos com impostos, matrículas e contas de fim de ano.

Segundo o economista e educador financeiro Leonardo Baldez Augusto, a alta ocorre porque a volta às aulas cria um pico de demanda previsível. “Milhões de famílias compram material escolar ao mesmo tempo, e esse é um tipo de gasto que não pode ser adiado. A aula começa, o material precisa estar lá”, explica.

De acordo com ele, mesmo em um cenário de inflação controlada, o comércio tende a reajustar os preços nesse período justamente por causa da procura elevada e imediata.

Além da demanda concentrada, fatores estruturais da economia também pesam no valor final dos produtos. Baldez aponta que custos acumulados ao longo do ano anterior acabam sendo repassados no início do ano, quando o giro do comércio é maior.

“Papel, plástico e outros insumos sofrem influência do dólar e do mercado internacional, mesmo quando o produto é fabricado no Brasil. Soma-se a isso o custo do transporte, que tem impacto significativo em um país de dimensões continentais”, afirma.

A especialista em finanças e diretora da MIDE Mesa Proprietária, Milene Dellatore, reforça que o comportamento do consumidor também influencia esse cenário. “No começo do ano, todo o Brasil praticamente vira o calendário escolar junto.

Essa compra em massa, do norte ao sul do país, aumenta a demanda e, consequentemente, os preços”, diz. Segundo ela, o fator tempo pressiona ainda mais as famílias, que acabam pesquisando menos e aceitando valores mais altos para cumprir os prazos escolares.

Impacto direto no orçamento das famílias

O efeito dessa alta é sentido principalmente pelas famílias de renda mais baixa. De acordo com Leonardo Baldez, o início do ano concentra diversas despesas obrigatórias, como impostos, matrícula, mensalidades escolares e reajustes de serviços.

“Muitas famílias não conseguem arcar com tudo à vista e recorrem ao parcelamento no cartão, ao uso do limite ou até a empréstimos de curto prazo”, explica. Esse comportamento, segundo ele, contribui para o aumento do endividamento logo no primeiro trimestre do ano.

O impacto desses reajustes é sentido pela maioria das famílias com crianças e adolescentes em idade escolar. Pesquisas indicam que mais de nove em cada dez responsáveis precisam arcar com a compra de material escolar, e para cerca de 85% deles esse gasto compromete diretamente o orçamento doméstico.

Outro levantamento aponta que 88% das famílias relatam impacto financeiro relevante com essas compras, enquanto 84% afirmam que o encarecimento dos materiais escolares interfere em outros gastos do dia a dia, como lazer, alimentação ou contas básicas.

Milene Dellatore destaca que a situação é ainda mais delicada entre famílias que já não possuem reserva financeira. “Grande parte das famílias de baixa renda já está endividada e utiliza crediário ou cartão de crédito para comprar o material escolar. A indústria e o comércio acabam oferecendo parcelamentos longos, de cinco a até 12 vezes, para tentar encaixar esse gasto no orçamento”, afirma.

Para ela, esse modelo facilita a compra no curto prazo, mas compromete a renda dos meses seguintes.

Diante desse cenário, os especialistas recomendam planejamento, reaproveitamento de materiais de anos anteriores e pesquisa de preços como formas de reduzir o impacto financeiro da volta às aulas no orçamento familiar.