Veja o resumo da noticia

  • Empresas brasileiras adotam modelos híbridos, equilibrando trabalho presencial e remoto, visando otimizar cultura e engajamento dos funcionários.
  • Investimentos em escritórios refletem a busca por espaços de convivência que fortaleçam a colaboração e a integração de novos talentos nas empresas.
  • Flexibilidade é crucial para atrair e reter talentos, especialmente entre jovens e profissionais de tecnologia, que valorizam o modelo híbrido.
  • Resistência ao retorno integral se deve a custos financeiros e impacto na qualidade de vida, com o modelo híbrido sendo o padrão no Brasil.
Home office
Imagem: Freepik

O retorno ao trabalho presencial voltou ao centro das estratégias corporativas no Brasil. No entanto, em vez de uma reversão completa do home office, empresas apostam em modelos híbridos, que combinam presença física e flexibilidade.

Um dos exemplos mais recentes é o Nubank, que anunciou investimento de R$ 2,5 bilhões para ampliar e modernizar seus escritórios no país. A iniciativa acompanha a adoção de um modelo híbrido a partir de julho de 2026, com cerca de 70% dos funcionários atuando presencialmente dois dias por semana.

Além disso, o movimento reforça uma tendência observada em 2024 e 2025: mais empresas passaram a estimular, de forma formal ou informal, o retorno ao escritório, mas sem repetir o padrão rígido do período pré-pandemia.

Escritório como espaço de cultura e engajamento

Para Henrique Soares Melo, sócio da área trabalhista do NHM Advogados, o investimento em grandes estruturas físicas deixou de ter como foco principal a fiscalização do trabalho. “O escritório deixou de ser apenas um local de trabalho. As empresas buscam o presencial como ferramenta de cultura, engajamento e formação de lideranças”, afirma.

Segundo Melo, a convivência acelera a colaboração e fortalece valores organizacionais, especialmente em processos de integração de novos profissionais. Ainda assim, o advogado avalia que o modelo híbrido se tornou uma realidade incontornável.

“O trabalho 100% presencial afasta talentos. O equilíbrio entre os formatos tem sido a resposta adotada pela maioria das empresas”, diz.

Por que o presencial integral enfrenta resistência?

Um estudo conduzido pelo Núcleo de Estudos de Comportamento e Gestão de Pessoas do Insper indica que o modelo híbrido permanece como padrão no Brasil e revela resistência significativa dos trabalhadores a uma volta integral ao trabalho presencial.

Os principais fatores estão ligados aos custos financeiros e à qualidade de vida. O trabalho remoto reduziu gastos com transporte, alimentação e vestuário, além de ampliar a autonomia sobre a rotina.

Nesse contexto, o retorno integral ao escritório costuma ser interpretado como perda de flexibilidade e tentativa de maior controle por parte das empresas. Esse cenário impacta diretamente a atração e a retenção de talentos, sobretudo entre profissionais mais jovens e das áreas de tecnologia.

Para Melo, a resistência inicial ao presencial está diretamente associada ao tempo de deslocamento e à necessidade de reorganizar a rotina. Ainda assim, a convivência física pode acelerar o aprendizado e ampliar o networking.

“Esses fatores são especialmente relevantes para profissionais em início de carreira e também para áreas como tecnologia”, afirma. Segundo o especialista, políticas claras que definam direitos e deveres tanto no home office quanto nos dias presenciais ajudam a reduzir conflitos e alinhar expectativas.

Estrutura física vira diferencial competitivo

Na avaliação de Gabriel Henrique Santoro, coordenador trabalhista do escritório Juveniz Jr Rolim Ferraz, “as empresas perceberam que, para o híbrido funcionar, os dias presenciais precisam ser produtivos e atrativos”.

Segundo Santoro, a geração Z, mais acostumada ao trabalho remoto, exige ambientes que vão além da estrutura tradicional. “Boa cadeira e café não bastam. As empresas precisam criar espaços que tornem a ida ao escritório interessante”, diz. Esse ponto ajuda a explicar os investimentos em sedes maiores e mais modernas.

Fim do home office ou consolidação do híbrido?

Para os especialistas ouvidos, o movimento liderado por empresas como o Nubank não representa o fim do home office, mas sim a consolidação do trabalho híbrido no Brasil.

“Grandes organizações estão tentando corrigir problemas de cultura, comunicação e gestão que não foram resolvidos no remoto”, avalia Melo. Santoro concorda: “o trabalho 100% remoto tende a virar nicho. Já imaginar um retorno integral ao presencial é um equívoco. O híbrido é o caminho natural”.

Dessa forma, o cenário indica que o escritório permanece relevante, mas com uma nova função: menos controle, mais convivência, cultura e troca — em um equilíbrio ainda em construção entre empresas e trabalhadores.