
A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, o menor nível da série histórica da PNAD Contínua, impulsionada pelo avanço do emprego formal, crescimento da renda média e queda da ociosidade no mercado de trabalho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE. Economistas avaliam que o cenário confirma a resiliência do emprego no fim de 2025, mas mantém o Banco Central atento aos efeitos sobre a inflação de serviços.
No mesmo período de 2024, o desemprego estava em 6,2%. Já no trimestre móvel até novembro, o indicador marcava 5,2%. Assim, o resultado confirma a trajetória de melhora ao longo do ano.
Com isso, a taxa média anual de desemprego recuou de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, o patamar mais baixo desde o início da série.
Emprego formal impulsiona queda do desemprego
Na série ajustada sazonalmente, a taxa de desemprego desacelerou para 5,4% em dezembro, também um recorde histórico. Ao mesmo tempo, a taxa de participação permaneceu estável, em 58,5%.
A população ocupada avançou 0,1% na margem, puxada principalmente pelo emprego formal, que cresceu 0,28%. Em contrapartida, o número de trabalhadores informais recuou 0,16%.
Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado mostra resiliência do mercado de trabalho.
“Apesar de o crescimento da ocupação ter sido mais moderado, a PNAD segue indicando um mercado aquecido, em contraste com o Caged, que mostrou desempenho mais fraco recentemente”, afirma.
Renda cresce e sustenta consumo das famílias
Além da melhora no emprego, a renda avançou de forma consistente. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.613, alta de 5,0% em relação ao mesmo trimestre de 2024. Com isso, a massa de renda real habitual somou R$ 367,6 bilhões, crescimento de 6,4% na comparação anual.
De acordo com Leonardo Costa, esse movimento reforça a dinâmica da atividade econômica.
“O crescimento da renda foi disseminado, com ganhos em serviços de maior qualificação, atividades financeiras, agropecuária e setor público, o que reforça o suporte do mercado de trabalho ao consumo”, explica.
Menor ociosidade reduz folga no mercado de trabalho
Outro ponto relevante foi a queda da taxa de subutilização da força de trabalho, que recuou para 13,4%. O indicador ficou bem abaixo do nível registrado um ano antes.
Para Maykon Douglas, economista, o comportamento recente chama a atenção da política monetária.
“As últimas leituras da PNAD mostram que a ocupação voltou a crescer no fim do ano, puxada pelo emprego formal, o que é um bom sinal do ponto de vista da atividade”, avalia.
Segundo ele, a aceleração da massa salarial efetiva, que avançou 0,94% na margem e voltou a crescer acima de 5,5% em termos reais, reforça esse diagnóstico.
PNAD reforça cautela do Banco Central
Para Maykon Douglas, economista, os números da PNAD trazem um recado importante para a política monetária.
“Apesar do Caged mais fraco, a PNAD mostra que a ocupação voltou a crescer no fim do ano, puxada pelo emprego formal, o que é um sinal positivo”, avalia.
Segundo ele, a massa salarial efetiva avançou 0,94% na margem e voltou a crescer acima de 5,5% em termos reais, reforçando o aquecimento.
Por isso, Maykon avalia que o Banco Central tende a manter cautela.
“Um mercado de trabalho aquecido pressiona a inflação de serviços intensivos em mão de obra. Esse segue sendo um dos principais desafios para a autoridade monetária”, afirma.
Leitura final: força no emprego, desafio para os juros
Em síntese, os dados da PNAD indicam que o Brasil encerrou 2025 com um mercado de trabalho sólido. O país combina desemprego em mínima histórica, crescimento real da renda e queda da ociosidade.
Ao mesmo tempo, esse cenário sustenta a atividade econômica, mas impõe desafios adicionais ao Banco Central na definição do ritmo de cortes da Selic em 2026.