Veja o resumo da noticia

  • Juros da dívida pública no Brasil atingem R$ 1 trilhão em 12 meses, um marco preocupante divulgado pelo Banco Central, sinalizando tendência alarmante.
  • O montante supera o dobro do orçamento anual de Saúde e Educação somados, sem gerar benefícios diretos em infraestrutura ou serviços essenciais.
  • Custo dos juros nominais atinge 7,9% do PIB, dobrando em cinco anos e caminhando para 10%, impactando a economia como um 'dízimo' ao setor financeiro.
  • Aumento dos gastos públicos no governo Bolsonaro e na PEC da Transição de Lula contribuíram para o crescimento da dívida e dos juros.
  • A Selic elevada, utilizada para combater a inflação, também impulsionou os gastos do governo com juros, devido à dívida atrelada à taxa.
  • Déficit primário força o Tesouro a emitir mais dívida para pagar os juros da dívida anterior, criando um ciclo de juros sobre juros.
 Imagem gerada por IA
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O Brasil ultrapassou uma marca histórica preocupante. Pela primeira vez, os juros da dívida pública chegaram a R$ 1 trilhão em 12 meses.

Os dados foram divulgados hoje pelo Banco Central. Eles mostram uma tendência alarmante para a economia nacional.

Dimensão do problema

Para entender a gravidade, vamos comparar. Esse valor supera o dobro de todo o orçamento anual de Saúde e Educação somados. Além disso, esse dinheiro não constrói hospitais. Também não equipa escolas nem melhora a educação das crianças. Ele apenas remunera quem empresta ao governo.

O custo dos juros nominais atingiu 7,9% do Produto Interno Bruto. Portanto, esse foi o segundo ano consecutivo próximo aos 8% do PIB.

Comparando com 2020, a situação piorou drasticamente. Naquela época, a conta era de 4,1% do PIB. Em resumo, o valor mais que dobrou em cinco anos.

Consequentemente, o Brasil caminha para os 10% do PIB em pagamento de juros. Na prática, é como se o país pagasse um “dízimo” ao setor financeiro.

Como funciona esse “dízimo”

De cada R$ 10 gerados pela economia, quase R$ 1 vai para credores. Isso inclui desde o agronegócio até a padaria da esquina.

Três fatores principais explicam essa escalada. Assim, a fatura saltou de R$ 310 bilhões em 2020 para R$ 1 trilhão agora.

Depois da pandemia, as contas públicas sofreram vários ataques. No governo Bolsonaro, houve o estouro do teto de gastos. Também ocorreram medidas populistas, como triplicar o antigo Auxílio Brasil. Além disso, houve manobras para reduzir artificialmente o preço dos combustíveis.

Com Lula, o problema continuou. A PEC da Transição trouxe mais gastos. O novo arcabouço fiscal tem regras mais frouxas.

Além disso, grandes despesas continuaram crescendo. Previdência e benefícios sociais aumentaram significativamente. Quando o mercado percebe o aumento de risco, ele reage. Por isso, passa a cobrar mais juros. O dólar também sobe.

Segundo fator: Selic elevada

A inflação começou a subir. Consequentemente, o Banco Central apertou os juros. A Selic ficou em patamar restritivo por muito tempo.

Como grande parte da dívida está atrelada à Selic, o resultado é previsível. Juros maiores significam mais gastos do governo.

O governo não consegue pagar os juros com impostos arrecadados. Em outras palavras, há déficit primário.

Portanto, o Tesouro emite mais dívida para pagar os juros da dívida anterior. É o juro sobre juro operando contra a economia.