Veja o resumo da noticia
- Delcy Rodríguez promoveu mudanças no governo e nas Forças Armadas após a captura de Maduro, consolidando seu poder e gerando questionamentos.
- General divulgou as alterações militares, incluindo substituições nas bases aéreas e na Guarda Nacional Bolivariana, aumentando a tensão interna.
- Crise silenciosa nas Forças Armadas devido à corrupção e falta de manutenção, enquanto ministro da Defesa demonstra lealdade.
- Diosdado Cabello fortalece sua posição, capitalizando o descontentamento militar e concentrando críticas internas em reuniões fechadas.
- Chavismo adota pragmatismo, com a família Rodríguez posicionando aliados nas FANB e buscando evitar vazamentos de informações.
- Apesar de declarações contraditórias, Caracas e Washington intensificam contatos, com a saída de Alex Saab como parte do acordo.

Delcy Rodríguez promoveu uma série de mudanças no governo venezolano. A presidente interina alterou tanto o gabinete ministerial quanto os altos cargos militares. Desde a sua posse, após a captura de Maduro pelos EUA, ela consolida seu poder rapidamente.
28 mudanças militares significativas
A jornalista Sebastiana Barráez, especializada nas Forças Armadas Bolivarianas, confirmou os dados à CNN. Segundo ela, Rodríguez realizou 28 mudanças militares significativas. Além disso, duas líderes do Alto Comando Ampliado saíram de seus cargos.
Porém, essas movimentações não foram anunciadas pela própria presidente. O general Domingo Hernández Lárez divulgou as mudanças em seu Instagram. Dessa forma, a transparência do processo gerou questionamentos entre analistas.
Bases aéreas sob novo comando
Rodríguez também substituiu os chefes das duas bases aéreas mais importantes do país. A base Generalíssimo Francisco de Miranda fica no coração de Caracas. Por outro lado, a base El Libertador está localizada em Aragua.
As alterações se estenderam ainda aos comandos da Guarda Nacional Bolivariana. Consequentemente, os diretores das academias militares também foram trocados.
Crise silenciosa nas Forças Armadas
O pesquisador Rafael Uzcátegui aponta uma crise profunda dentro das FANB. No entanto, essa crise não aparece no debate público. Segundo ele, anos de corrupção prejudicaram a capacidade militar do país.
Além disso, os sistemas estão inoperantes por falta de manutenção. Existe um descontentamento interno que as autoridades tentam suprimir. Dessa forma, a tensão dentro das forças de segurança cresceu consideravelmente.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, encontra-se em posição fragilizada. Barráez indica que a instituição militar atualmente não possui liderança clara. Todavia, Padrino manteve sua lealdade a Rodríguez desde o início.
Por exemplo, ele foi um dos primeiros a apoiar a sucessão após a captura de Maduro. No entanto, suas postagens nas redes sociais perderam credibilidade após o ataque dos EUA. Consequentemente, muitos analistas preveem mais mudanças no próprio ministério.
Diosdado Cabello ganha terreno
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, fortaleceu sua posição nas últimas semanas. Historicamente considerado o “número dois” do chavismo, ele pediu apoio público a Rodríguez. Além disso, Cabello capitalizou o descontentamento dos militares com a inação anterior.
Barráez destaca que Cabello concentra as críticas internas em reuniões fechadas. Dessa forma, ele mantém um papel central na nova estrutura de poder.
Estratégia pragmática de Rodríguez
Uzcátegui afirma que o chavismo adota um “pragmatismo extremo” atualmente. A família Rodríguez coloca pessoas de confiança em posições-chave das FANB. Por outro lado, algumas mudanças visam impedir vazamentos sobre o ataque dos EUA.
Barráez destacou que Rodríguez possui uma forte aversão às Forças Armadas. Isso é incomum para líderes chavistas, historicamente ligados aos militares. Todavia, ela avança rapidamente na consolidação do seu poder.
Caracas e Washington mantêm declarações aparentemente contraditórias desde o ataque. Trump afirma que controla o país e seu petróleo. No entanto, Rodríguez reafirma a soberania venezolana perante o mundo.
Apesar disso, os dois governos intensificam os contatos entre si. O diretor da CIA já visitou Caracas pessoalmente. Além disso, Trump elogiou a “liderança muito forte” de Rodríguez publicamente.
A saída mais comentada do gabinete foi a do empresário colombiano Alex Saab. Ele era aliado próximo de Maduro e foi preso pelos EUA anteriormente. Segundo Uzcátegui, sua saída faz parte do acordo de cooperação com Washington.
Consequentemente, os analistas preveem uma “purga” de funcionários nos próximos dias. Dessa forma, o acordo entre Caracas e Washington deve se tornar mais plausível. No entanto, nenhum documento formal ainda foi assinado entre os dois governos.