Foto: Divulgação/CNI
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A produção industrial do Brasil recuou 1,2% em dezembro na comparação com novembro, informou o IBGE nesta terça-feira (3). O resultado veio pior do que o esperado por economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam queda de 0,7%.

Pois, na comparação com dezembro do ano anterior, a indústria avançou 0,4%. O mercado esperava alta de 1,1% nessa base.

Queda em dezembro amplia sinal de perda de fôlego

O tombo de dezembro reforça que a atividade industrial entrou no fim de 2025 com oscilação mais dura do que o mercado vinha precificando. A leitura “abaixo do consenso” costuma mexer com o humor de Bolsa e juros futuros, porque altera a percepção sobre crescimento e inflação à frente.

Análise: “dois trilhos” e efeito do aperto monetário

Para Maykon Douglas, economista, a fotografia de 2025 revela uma indústria andando em “dois trilhos”.

Segundo ele, o crescimento de 0,6% no ano veio com heterogeneidade setorial e temporal. Na leitura do economista, o resultado se sustentou principalmente no avanço das indústrias extrativas (+4,9% em 2025), puxadas por petróleo, enquanto a indústria de transformação fechou o ano em -0,2%.

O economista também avalia que a parte mais sensível ao crédito tende a sofrer mais com o aperto monetário. Mesmo com um ciclo de cortes da Selic no horizonte, ele projeta ajuda limitada no curto prazo por causa das defasagens da política monetária e de um corte mais cauteloso, com Selic em 12,50% no fim de 2026 e redução inicial de 25 pontos-base em março.

2025 fechou no azul, mas sem grande aceleração

Apesar do recuo no último mês, o IBGE informou que a indústria encerrou 2025 com alta de 0,6% frente a 2024. O avanço veio com resultados positivos em parte relevante dos ramos pesquisados, com destaque para indústrias extrativas e alimentos entre as influências.

O que fica no radar do investidor

O número de dezembro chega em um momento sensível: o mercado tenta medir até onde vai a desaceleração da economia e como ela conversa com o ciclo de juros. Se a fraqueza se espalhar para os próximos meses, cresce a pressão por um corte mais cedo. Se o dado ficar isolado, o foco volta para inflação e expectativas.