
O Bradesco BBI rebaixou a recomendação das ações da Petrobras de outperform (equivalente à compra) para marketperform (neutra). Mesmo assim, o banco elevou o preço-alvo de R$ 40 para R$ 45 em PETR4 e de US$ 15 para US$ 17 no ADR PBR.
No mesmo relatório, o BBI também reduziu a recomendação da colombiana Ecopetrol para underperform (venda), mantendo o preço-alvo em US$ 12 por ADR.
Por que o banco ficou mais “pé no chão” com a Petrobras
A leitura do BBI parte de um ponto simples: depois de uma arrancada expressiva no começo do ano, o relatório cita alta de 21% em PETR4 em 2026, o potencial adicional parece mais limitado. O banco trabalha com um preço de longo prazo do Brent Crude em US$ 65 por barril.
Além disso, a equipe avalia que a recente alta do petróleo ganhou força com um prêmio geopolítico. Esse impulso, na visão do banco, pode ser difícil de manter.
Dividendos e valuation entram no centro da conta
O BBI diz que o novo preço-alvo embute um dividend yield “justo” de 9% para os próximos cinco anos. No curto prazo, porém, o banco estima yield de 6,5% em 2026, abaixo da média de pares nos EUA (7%) e também abaixo do que projeta para Vale (8%).
O BBI afirma ver a Petrobras negociando a 3,7x EV/Ebitda em 2026, com desconto de 29% ante a média global. O preço-alvo, iria a 4,0x, com desconto “justificado” de 20% por risco e custo de capital ligados ao status de estatal.
O que pode “virar o jogo” contra o rebaixamento
O banco lista três vetores que podem contrariar a visão neutra:
- nova rodada de alta do Brent;
- fluxo forte e contínuo para emergentes;
- mudanças nas diretrizes do controlador.
Outras casas: BTG neutro, Goldman compra
O BTG Pactual também mantém recomendação neutra. O banco vê risco de dividendos do 4T25 ficarem abaixo do consenso e cita pressão de capex e saídas não recorrentes, como itens ligados à PPSA e ao acordo Jubarte AIP.
Já o Goldman Sachs segue com compra, citando carregamento de dividendos próximo de 9% em 2026/27 e o fator eleições como possível catalisador. No setor, o banco aponta preferência por PRIO e vê Brava Energia como a mais exposta ao petróleo.