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Disney / Fonte: reprodução/ Pedro Menezes/ M&E

A The Walt Disney Company definiu seu próximo comando e fechou um capítulo que se arrastava havia anos. Nesta terça-feira (3), a empresa anunciou Josh D’Amaro como novo diretor-presidente, com posse marcada para 18 de março. Ele sucederá Bob Iger, arquiteto da “Disney moderna” e protagonista de idas e vindas no plano de sucessão.

A troca ocorre em um ponto sensível para a indústria de mídia: a inteligência artificial generativa avança sobre rotinas criativas e produtivas, enquanto grandes grupos avaliam compras e fusões para ganhar escala em streaming e estúdios.

Novo CEO da Disney assume em março

A nomeação foi aprovada por unanimidade pelo conselho, segundo a companhia. O desenho da transição também prevê a entrada de D’Amaro no conselho após a reunião anual.

Além disso, a empresa ainda promoveu Dana Walden a um novo posto: presidente e chief creative officer. Ela passa a se reportar diretamente ao novo CEO.

Por que a sucessão virou o “calcanhar de Aquiles”

A Disney adiou a aposentadoria de Iger mais de uma vez. Depois, trouxe o executivo de volta em 2022, após a saída de Bob Chapek. Então, o histórico aumentou a pressão por uma transição mais controlada.

Para reduzir o risco de repetir erros, o conselho colocou James Gorman, veterano do Morgan Stanley, como supervisor do processo de sucessão. Por isso, a missão era simples e difícil: dar previsibilidade ao roteiro e evitar uma nova crise de liderança.

Parques e cruzeiros viram o “centro do lucro”

D’Amaro chega ao topo vindo do negócio que mais gera caixa para a Disney: a divisão de experiências, que inclui parques e cruzeiros. Contudo, no último ano fiscal, a área entregou quase US$ 10 bilhões em lucro operacional e respondeu por cerca de 60% do resultado da companhia, segundo a Reuters.

Esse peso ajuda a explicar a escolha. Depois da pandemia, a unidade cresceu ano a ano e se firmou como âncora em um período de transição no streaming.

Expansão internacional: Abu Dhabi entra no mapa

Um dos projetos sob o guarda-chuva de D’Amaro é um novo parque em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Então, a iniciativa marca um movimento de expansão no Oriente Médio e reforça a aposta em destinos premium.

Ao mesmo tempo, a Disney reconheceu obstáculos recentes, como a queda de visitantes internacionais nos Estados Unidos. Esse ponto passou a aparecer como ruído no curto prazo para parques.

IA generativa e sindicatos: o teste de fogo do novo CEO

A sucessão acontece às vésperas do vencimento de contratos importantes de sindicatos em Hollywood, com discussões que podem voltar a girar em torno do uso de IA em roteiros, edição e efeitos. O tema já paralisou parte da produção em 2023.

Além disso, nesse ambiente, a Disney também chama atenção por sua aproximação com OpenAI. Em dezembro, a companhia anunciou acordo para licenciamento de personagens em Sora e informou investimento de US$ 1 bilhão.

O pacote envolve propriedades como Pixar, Marvel e Star Wars, marcas que foram reforçadas ao longo do “ciclo Iger”, junto com Lucasfilm e 21st Century Fox.

Pressão competitiva no streaming e consolidação no setor

A disputa por escala no streaming continua apertada. Rivais como Netflix, Paramount e Warner Bros. Discovery aparecem no radar do mercado em discussões sobre ativos e combinações estratégicas. Esse movimento tende a elevar o grau de competição por catálogo, esporte e distribuição.

D’Amaro, por sua vez, também terá de equilibrar a agenda de conteúdo com ativos que exigem capex pesado, como parques, cruzeiros e experiências. É um jogo de prazo diferente, e ele começa com o relógio correndo.