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Foto: B3/Divulgação

O Ibovespa tocou 187 mil pontos pela primeira vez nesta terça-feira (3) e emendou uma sequência de máximas intradiárias. O movimento ganhou força desde a abertura, com o mercado reagindo à ata do Copom e ao clima mais positivo no exterior.

Além disso, o avanço de B3 veio com alta disseminada. No pico do otimismo, praticamente não havia ações no campo negativo no índice, segundo relatos do mercado em tempo real.

Ata do Copom: corte em março, mas com “freio de mão” puxado

A ata reforçou a sinalização do Banco Central do Brasil de que o ciclo de cortes começa em março, mas sem compromisso prévio com o ritmo. O texto diz que magnitude e duração da flexibilização serão definidas ao longo do tempo, conforme os dados cheguem.

Na prática, o recado é direto: o BC abriu a porta para reduzir juros, mas quer evidências adicionais de melhora na inflação e nas expectativas. Assim, o mercado ajusta preço com mais convicção no “início” do ciclo, e com menos certeza sobre a velocidade.

Dólar cai, juros futuros recuam e blue chips puxam o índice

Com o ambiente mais favorável, o dólar cedeu e os juros futuros recuaram, dando tração extra para o rali das ações. Isso costuma favorecer, sobretudo, papéis mais sensíveis a custo de capital, além das blue chips.

Para Felipe Cima, a ata ajuda porque reforça o cenário de cortes e porque as projeções de inflação do BC para 2027 aparecem mais próximas do centro da meta. Ele também chama atenção para o efeito defasado do juro alto sobre o IPCA.

Já Ricardo Trevisan resume o momento como uma alta com fundamento, mas alerta para um caminho ainda volátil, dependente de dados e de percepção de risco.

PIM do IBGE: indústria fraca vira “contrapeso” no cenário

No meio da euforia da Bolsa, a atividade trouxe um ponto de atenção: o IBGE informou que a produção industrial caiu 1,2% em dezembro ante novembro e subiu 0,4% na comparação anual, abaixo do que parte do mercado esperava.

Ou seja, a economia dá sinais mistos: a Bolsa festeja a perspectiva de juros menores, enquanto a indústria mostra perda de tração no fim do ano. Isso ajuda a explicar por que o BC insiste em cautela na comunicação.

Nova York, petróleo e o “humor externo” entram na conta

Lá fora, o tom mais construtivo também contribuiu para o apetite por risco. Bolsas em alta e commodities firmes costumam alimentar a rotação para emergentes, principalmente quando a política monetária local indica alívio adiante.

E tem mais: em relatório citado pelo mercado, a XP voltou a circular com projeções para o índice, incluindo um cenário otimista que aponta o Ibovespa em patamares bem acima dos níveis atuais.