Veja o resumo da noticia

  • BRB propõe aumento no teto de operações para diretores e conselheiros em meio à crise do Banco Master, elevando o limite de 8% para 9%.
  • A reunião do conselho que propôs o aumento ocorreu um dia após a posse do novo presidente, coincidindo com o auge da crise Master.
  • A ata da reunião permanece sob sigilo, gerando suspeitas, enquanto outras atas do BRB são geralmente divulgadas publicamente.
  • Bancos privados como Itaú e Bradesco adotam limites mais rígidos para operações individuais, contrastando com a proposta do BRB.
  • Especialistas criticam o momento do aumento proposto, considerando o envolvimento do BRB em investigações sobre fraudes no Master.
  • O BRB confirma revisões de política, mas não comenta especificamente sobre o aumento de limites, reforçando governança em 2025.
BRB | Agência Brasil
BRB | Agência Brasil

O BRB tentou aumentar limites de transações para executivos. A proposta aconteceu em plena crise do Banco Master. Além disso, a ata da reunião permanece em sigilo até hoje.

O conselho propôs elevar de 8% para 9% o teto de operações. Esse limite se aplica a diretores, conselheiros e até o presidente. Consequentemente, permitiria mais negócios concentrados nas mãos de poucos.

A reunião aconteceu em 28 de novembro passado. Curiosamente, foi um dia após a posse do novo presidente. Portanto, coincidiu exatamente com o auge da crise Master.

Atualmente, o patrimônio líquido do BRB alcança R$ 4 bilhões. Assim, o novo limite chegaria a R$ 360 milhões. Isso representa um aumento significativo na exposição.

Sigilo levanta suspeitas

A ata desta reunião não está disponível publicamente. Diferentemente disso, outras atas do BRB costumam ser divulgadas. Somente em 4 de dezembro saiu um comunicado genérico.

O banco justifica o sigilo pela Lei das Estatais. Alega proteção de segredo comercial e dados confidenciais. Entretanto, não explica especificamente o motivo do sigilo.

Ademais, não se sabe se a proposta foi aprovada. O NeoFeed apurou que o novo limite ainda não foi formalizado. Igualmente, há possibilidade de revisão interna.

Os bancos privados adotam políticas mais rígidas. O Itaú limita operações individuais a R$ 1 milhão por ano. Similarmente, o Bradesco impõe teto de R$ 50 milhões.

Portanto, o BRB caminharia na direção oposta. Enquanto isso, enfrenta investigações bilionárias sobre fraudes no Master. Consequentemente, especialistas questionam o timing da medida.

O que são partes relacionadas

Partes relacionadas incluem acionistas controladores e administradores. Além disso, abrangem conselheiros e empresas coligadas. Igualmente, familiares diretos desses executivos entram na conta.

Essas pessoas têm acesso a informações privilegiadas. Portanto, conhecem dados sensíveis sobre o banco. Por isso mesmo, seus negócios devem ter limites claros.

Marcelo Talarico presidia o conselho durante a tentativa de compra do Master. Ele ocupava a cadeira desde 2022. Entretanto, enfrentou forte resistência interna em janeiro.

Posteriormente, Talarico renunciou antes de ser destituído. Junto com ele, saiu Luis Fernando de Lara Resende. Assim, abriram espaço para novos conselheiros.

Edison Garcia deve assumir a presidência do conselho em breve. Ele foi indicado pelo Governo do Distrito Federal. Consequentemente, representa o controlador do banco.

Especialistas criticam a decisão

Sandra Guerra, especialista em governança, alerta sobre o problema. Segundo ela, aumentar limites em momento de crise é questionável. “Numa situação de incertezas, você nunca aumenta a alçada”, afirma.

Ademais, ela recomenda o contrário. O ideal seria manter ou reduzir esses limites. Especialmente com CEO afastado em investigação de fraude.

“É de causar estranheza que o Conselho aumente limites”, completa Guerra. Ela destaca que bancos privados já têm controles estruturados. Porém, estatais apresentam fragilidades nessa área.

O contexto do caso Master

O BRB está envolvido no escândalo do Banco Master. As fraudes são estimadas em mais de R$ 12 bilhões. Além disso, executivos do banco foram afastados pela Operação Compliance Zero.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente, deixou o cargo. Similarmente, o diretor financeiro Dario Garcia Júnior também saiu. Portanto, a instituição passa por completa reestruturação.

O BRB confirma que revisões de política seguem governança formal. Segundo a nota, há alçadas definidas e avaliação de instâncias. Ademais, passa por aprovação do Conselho de Administração.

O banco atualiza sua política anualmente para partes relacionadas. A versão 2025 “reforçou a governança”, segundo comunicado. Igualmente, estabeleceu regras contra privilégios e conflitos.

“O Banco reafirma compromisso com governança e transparência”, finaliza a nota. Entretanto, não comentou especificamente sobre o aumento de limites.

Por que isso importa

Esse episódio expõe falhas graves de governança. Primeiramente, acontece em momento delicado para o banco. Simultaneamente, o mercado cobra mais transparência de estatais.

Além disso, afeta a confiança do público no BRB. Investidores e depositantes ficam atentos a sinais de risco. Portanto, cada decisão polêmica aumenta a pressão sobre a instituição.

Finalmente, levanta questões sobre fiscalização. Órgãos como Banco Central e CVM devem intensificar monitoramento. Consequentemente, outras estatais também podem passar por revisão.