The Washington Post
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O Washington Post anunciou nesta quarta-feira (4) a demissão de cerca de um terço de seus funcionários, em uma reestruturação que atinge praticamente todos os departamentos.

A decisão reduz de forma significativa a cobertura de esportes, notícias locais e internacionais.

Segundo o editor-executivo Matt Murray, os cortes buscam dar “estabilidade” ao jornal diante da forte queda no tráfego digital nos últimos três anos. Além de estar em meio ao avanço da inteligência artificial e a mudanças no consumo de notícias.

Murray afirmou que o modelo atual estaria “preso a uma era diferente” e defendeu a necessidade de reinventar o jornalismo e o modelo de negócios da publicação.

A decisão provocou reação negativa imediata dentro da redação. O sindicato dos trabalhadores do Post criticou as demissões e afirmou que a medida enfraquece o jornal e afasta leitores.

Jornalistas dispensados relataram, nas redes sociais, o encerramento completo de equipes em regiões estratégicas, como Oriente Médio e Ucrânia. Além disso, comentaram sobre o grande esvaziamento da editoria metropolitana de Washington, DC.

O ex-editor Marty Baron classificou o momento como “um dos dias mais sombrios” da história do jornal e criticou a postura do controlador Jeff Bezos.

Bezos adquiriu o Post em 2013 por US$ 250 milhões.

As demissões ocorrem em meio a dificuldades financeiras e perda acelerada de assinantes, intensificada após a decisão do jornal de não apoiar nenhum candidato na eleição presidencial de 2024, rompendo uma tradição de décadas.

O cenário contrasta com o desempenho do New York Times. O jornal registrou a adição de cerca de 450 mil novos assinantes digitais no último trimestre de 2025.